quinta-feira, 19 de maio de 2016

Ilhéus também decreta emergência por causa da crise hídrica

site DSC 0090O decreto 026/2016, já publicado no Diário Oficial do Município, aguarda reconhecimento dos governos estadual e federal, para tomada das devidas providências para amenizar a situação

Por Celina Santos

A exemplo de Itabuna e de outras cidades sul-baianas, Ilhéus acaba de decretar Situação de Emergência em função da crise hídrica. A expectativa é que o reconhecimento do pleito – pelos governos estadual e federal – permita a agilidade nas providências para reforço na captação, bem como outros desdobramentos voltados para a questão ambiental.

Uma das saídas é a exploração da água na Mata da Esperança, situada no Parque Natural Municipal da Boa Esperança, área de preservação permanente. Para instalar uma adutora no local, portanto, será necessária autorização prévia, uma vez que a supressão de vegetação é parte do caminho. "Estamos estudando um projeto de lei sobre a preservação, preocupados com a questão da sustentabilidade", adiantou o prefeito Jabes Ribeiro.

Ele convocou uma entrevista coletiva ontem (18), para informar sobre o porquê de o município ter optado por só editar o decreto de emergência agora. Segundo o gestor, não seria prudente ter adotado tal medida no verão, por exemplo, porque geraria instabilidade para a rede hoteleira e todos os demais segmentos que geram empregos através do turismo. "Nós não prolongamos a decisão; tivemos responsabilidade", justificou.

Rodízio no abastecimento

À entrevista também estiveram presentes o secretário de Meio Ambiente, Antônio Vieira, o gerente da Embasa em Ilhéus, engenheiro José Lavigne, e o vice-prefeito, Cacá Machado. Ele informou que atualmente há três estações em funcionamento, mas só é possível abastecer a cidade a cada três dias, num esquema de rodízio entre os bairros. Nos locais de mais difícil acesso, foram instalados 16 reservatórios, enchidos com 10 carros-pipas.

Já existe, porém, a certeza de que a Barragem do Iguape (principal fonte) só tem capacidade para mais 74 dias, com a captação no intervalo de 72 horas. "Se for operar todos os dias, ela acaba em menos de 20 dias", ressalvou. A crise hídrica fez a captação na referida barragem sair de 24 mil m³ para 7,5 mil m³ por dia. Além desse manancial, estão sendo utilizados o Rio Santana e a Represa da Esperança.

Tal crise é atribuída ao fenômeno El Niño, cujos efeitos deverão estender-se por um longo período. Entre os principais efeitos, a diminuição na quantidade de chuva. Para o último mês de fevereiro, quando era prevista uma média de 200 ml, caíram apenas 29 ml.

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