segunda-feira, 13 de junho de 2016

‘Cabe a Deus punir os homossexuais’, diz pai de atirador que matou 49 pessoas em ataque homofóbico

O pai do autor do ataque homofóbico que aconteceu na boate gay Pulse de Orlando, nos Estados Unidos, Seddique Mateen publicou vídeo no Facebook dizendo “Cabe a Deus punir os homossexuais. Não corresponde a seus servos. Que Deus guie a juventude e permita a ela seguir o verdadeiro Islã”, defendeu. Em outro trecho ele definiu seu filho de 29 anos, Omar Mateen, como “um homem bom e educado”: “Meu filho Omar Mateen era uma pessoa muito boa. Era casado e pai de um menino. Respeitava sua família. Não sabia que tinha este ódio no coração”, afirmou.

No postado no Facebook, Seddique afirma estar de luto pelo massacre que deixou, ao todo, 50 mortos (49 vítimas e o atirador) e 53 feridos na boate. Ele afirma estar se dirigindo “ao bom povo do Afeganistão e a todos meus compatriotas” com o objetivo de anunciar a morte de seu filho. O pai do atirador afirmou que o filho conseguiu a arma por ser segurança. “Não entendo. Ele foi a um clube para homossexuais e matou 49 deles”, disse.
Pai do atirador 
O pai do atirador disse ainda que Omar Mateen expressou revolta ao ver um casal gay trocando carinhos recentemente no centro de Miami, e sugeriu que isto pode ter motivado a ação violenta ocorrida na boate. “Ele viu dois homens se beijando em frente à sua mulher e ao seu filho e ficou muito irritado”, destacou Seddique que é apresentador de TV no programa “Durand Jirga Show”, disponibilizado no YouTube, onde ele diz que tem a intenção de disputar a presidência do Afeganistão.

Estado Islâmico 
A rádio oficial do grupo extremista Estado Islâmico (EI) assumiu a autoria do ataque nesta segunda-feira (13) o massacre de Orlando, nos Estados Unidos. Segundo a rádio, o ataque que deixou 50 mortos na boate gay Pulse foi cometido por um “soldado do califado”. Este foi o pior atentado com arma de fogo nos Estados Unidos.

“Deus permitiu ao irmão Omar Mateen, um dos soldados do califado nos Estados Unidos, lançar uma ghazwa (termo islâmico para designar um ataque) em uma discoteca de sodomitas na cidade de Orlando, conseguindo matar e ferir mais de 100 deles”, diz o boletim da Rádio Al-Bayan do EI.


O comunicado foi escrito em inglês e árabe e divulgado através da agência de notícias Amaq, ligada aos jihadistas. As autoridades norte-americanas estão sendo cautelosas em relação ao ataque. Até agora, confirmam apenas que Omar Mateen, de 29 anos e descendente de afegãos, foi o responsável pelo massacre.

O FBI disse ainda que o atirador comprou ao menos duas armas de fogo nas últimas semanas e que trabalhou como segurança. Além disso, Mateen foi alvo de investigação em 2013 após comentários “inflamatórios” no ambiente de trabalho e manteve ligações com um suspeito de planejar um ataque a bomba em 2014. Porém, a polícia federal norte-americana não confirmou a ligação entre o massacre e o EI.

O curto comunicado do EI foi distribuído por meio do Telegram, um aplicativo de mensagens. O texto diz que o ataque “visou uma boate para homossexuais”. Em territórios em que controla na Síria e no Iraque, o EI rotineiramente executa homossexuais. O grupo também exibe, por meio de seus canais de propaganda, vídeos de seus soldados empurrando homens acusados de serem gays de edifícios.

O EI pediu no mês passado que seus apoiadores realizassem ataques no Ocidente durante o mês sagrado do Ramadan, que começou na semana passada. O mês é considerado de sacrifício e luta por alguns muçulmanos e coincide com o aumento expressivo da violência de grupos extremistas, como Estado Islâmico e a Al-Qaeda.

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