terça-feira, 7 de junho de 2016

'Cadeia é longa, mas não é perpétua', diz preso que vendia drogas pelo WhatsApp

O comércio online de drogas de Leonardo Sampaio, 24 anos, foi desmontado na noite da última segunda-feira (6) após policiais militares prendê-lo enquanto transportava cerca de 1 kg de maconha em uma mochila na Alameda das Espatódeas, no bairro Caminho das Árvores.

O suspeito usava o aplicativo WhatsApp para vender os entorpecentes, por exemplo, para estudantes universitários frequentadores de festas eletrônicas.

Durante sua apresentação à imprensa, na manhã desta terça-feira (7), Leonardo se limitou a dizer que era “inocente” e ironizou a circunstância. “Cadeia é longa, mas não é perpétua”, afirmou.

De acordo com a delegada Maria Selma, titular da 16ª Delegacia (Pituba), Leonardo passava pelo local em uma motocicleta quando avistou uma guarnição da 35ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Iguatemi).

Ele passou a fazer manobras suspeitas, depois abandonou a moto e seguiu andando a pé, com a mochila nas costas. Ao perceber a ação, os policiais abordaram o suspeito e encontraram a droga com ele.

WhatsApp
“O nome do grupo era Bonde Fritação. Nesse grupo ele recebia os pedidos, enviava fotos para as pessoas para mostrar as drogas que estava vendendo. Da hora que o flagrante foi registrado, o celular só parou de tocar quando a bateria descarregou. Muitas pessoas fazendo pedidos, pedindo para ver fotos”, disse a delegada.

De acordo com Maria Selma, além do grupo no Whatsapp, a droga também era comercializada por um perfil na internet também intitulado Bonde Fritação. Além de Leonardo, a polícia apura a participação de outro suspeito na venda dos entorpecentes, mas não divulgou o nome para não atrapalhar as investigações. “Não podemos dizer, para não atrapalhar, mas já temos identificação”, adiantou.


Ainda conforme a delegada, a polícia investiga se Leonardo possuía dívidas com traficantes. “Ele pediu para ver a namorada pela última vez, como se tivesse deixando a entender que se fosse preso, poderia ser morto (por traficantes). Estamos apurando”, contou a delegada. 

Suborno
Para não ser preso, Leonardo ainda tentou subornar policiais, oferecendo uma quantia em espécie, de acordo com a polícia. Por conta disso, ele também responderá por tentativa de suborno. 

“Ele chegou a subornar os policiais, ofereceu R$ 3 mil. Ligou para a namorada para levar o dinheiro no local. Quando ele entregou o dinheiro, os policiais trouxeram os dois para a delegacia. Os policiais entregaram o dinheiro no momento do flagrante”, contou a delegada Maria Selma. 

Durante a apresentação na 16ª Delegacia, Leonardo disse que foi “espancado pelos policiais” e “obrigado a entregar a quantia”.

A assessoria da Polícia Militar informou em nota que o suspeito e a namorada dele tentaram subornar os militares. "Os policiais solicitaram o apoio de uma viatura da unidade para conduzir o acusado para a delegacia, quando a guarnição chegou ao local o suspeito ofereceu a quantia de três mil reais aos policiais, para que não fosse preso", diz em nota.

Ainda segundo a assessoria, a namorada de Leonardo esteve no local e tentou entregar o dinheiro aos PMs. Os militares recusaram o suborno e apresentaram os dois suspeitos, o dinheiro e a droga apreendida na 16ª Delegacia. A assessoria não se posicionou sobre as acusações de agressão contra o preso.

Na delegacia, a namorada de Leonardo, Karine Guimarães Serra Oliveira, 22, está gravida de 3 meses e disse para a delegada que não possuía envolvimento com o tráfico e que apenas sabia que Leonardo era usuário de drogas. 

“Ela não tem antecedentes criminais. É estudante de Publicidade e Propaganda. Disse que falava para ele para parar com o uso de drogas”, relatou a delegada. A namorada de Leonardo foi ouvida e liberada em seguida. Já Leonardo será encaminhado para o sistema prisional, onde aguardará julgamento. Ele já possui passagem na polícia por tráfico de drogas e por conduzir veículo sem habilitação.

Em depoimento à delegada, o suspeito disse que trabalhava como promotor de vendas e que estava desempregado. Leonardo mora sozinho no bairro da Boca do Rio.

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