segunda-feira, 27 de junho de 2016

'O país vai ser dominado pelos criminosos', lamenta marido de médica morta em assalto

O marido da médica Gisele Palhares Gouvêa, 34 anos, executada durante uma tentativa de assalto ao voltar para casa no Rio de Janeiro, fez um desabafo durante o velório dela nesta segunda-feira (27).

Revoltado com a tragédia, o cirurgião plástico Renato Palhares disse que a violência no Brasil não tem mais solução. 

"A única opção vai ser sair do país. O país vai ser dominado pelos criminosos. Se continuar desse jeito, os nossos filhos, os nossos irmãos, todas as nossas famílias... acontecerá algo com eles", disse Palhares em entrevista ao Extra.

A médica foi atingida por dois tiros na cabeça, no acesso da Via Presidente Dutra à Linha Vermelha, enquanto voltava para casa, após participar da inauguração do Centro de Acolhimento ao Deficiente (CAD), em Nova Iguaçu, neste último sábado (25). Ela chegou a ser levada por uma ambulância do Corpo de Bombeiros para o Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, Duque de Caxias, mas não resistiu.

No momento do crime, Gisele estava sozinha no seu carro, um Land Rover. Gisele era diretora da Clínica da Família de Vila Cava, na mesma cidade. O marido da médica também disse que as ações tomadas após o crime são apenas uma tentativa de 'enxugar gelo' e de nada adiantam.

"Num dia acontece o crime. No outro dia eles reforçam o policiamento. Igual a hoje. Só que eu quero ver se semana que vem estará a mesma coisa. Eles ficam enxugando gelo. Ou o Brasil, nós cidadãos, nos unimos e mudamos, ou vamos acabar vítimas dessa violência", comentou o viúvo.

Ele já tinha se declarado para a mulher em seu perfil do Facebook. "Cada segundo a seu lado valeu a pena, você me ensinou a te amar infinitamente! Não sei como vou seguir sem você", lamentou na legenda da foto, que mostrava a comemoração do casal no Dia dos Namorados. 
O corpo da médica será enterrado na tarde desta segunda-feira (27), no Cemitério Jardim da Saudade de Mesquita, na Baixada Fluminense. As córneas de Gisele, que sempre manifestou o desejo de ser doadora de órgãos, foram doadas pela família da vítima. Até a manhã de hoje, nenhum suspeito de envolvimento no crime foi preso pela polícia. 

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