sexta-feira, 8 de julho de 2016

Caso Ana Hickmann: Ministério Público denuncia cunhado por homicídio do fã agressor, em BH

O Ministério Público de Minas Gerais entregou na tarde desta quinta-feira (7) à Justiça denúncia contra Gustavo Correa, cunhado da apresentadora Ana Hickmann, por homicídio.

A medida é contrária à decisão da Polícia Civil que pediu o arquivamento do processo pelo reconhecimento de legítima defesa. A apresentadora Ana Hickmann sofreu um atentado por um “fã” em Belo Horizonte, no dia 21 de maio.
O crime aconteceu dentro de um hotel no bairro Belvedere, Região Centro-Sul da cidade. Gustavo Correa matou Rodrigo Augusto de Pádua após este atirar contra sua mulher, Giovana Oliveira, assessora da apresentadora. O Tribunal de Justiça de Minas Gerais vai decidir se aceita ou não a denúndia feita pelo promotor Francisco Santiago. O advogado de Gustavo Correa, Maurício Benfica, disse que não vai se manifestar por não ter ciência do teor da denúncia. Para ele, o caso trata-se “obviamente” de legítima defesa.

De acordo com o inquérito, Rodrigo, de 30 anos, rendeu com um revólver a apresentadora, sua cunhada, Giovana Oliveira, e o marido de Giovana, Gustavo Correa, que é irmão do marido de Ana Hickmann. Em uma luta corporal, Gustavo matou Rodrigo dentro de um dos quartos de hotel, após o “fã” balear Giovana. Segundo o delegado Flávio Grossi, responsável pelo caso, o tiro contra a cunhada era para a apresentadora. Nem Ana Hickamnn nem o cunhado se feriram.

De acordo com a polícia, a investigação mostrou que a intenção de Rodrigo era possivelmente matar a apresentadora. Um pen drive encontrado no quarto de Rodrigo e um celular que estava no quarto do atentado foram periciados. Nos dois, a polícia encontrou mais de 10 mil fotos, a maioria de Ana Hickmann. “O pen drive e o celular demonstram o que já estava bem sedimentado, que é essa obsessão de Rodrigo por Ana Hickmann. Nós temos cerca de 10.480 fotos, a maioria referente à Ana Hickmann, montagens com declarações de amor e montagens de cunho sexual”, disse o delegado.
Delegado Flávio Grossi fala sobre conclusão do inquérito sobre o atentado contra a apresentadora Ana Hickmann, em Belo Horizonte (Foto: Raquel Freitas/G1)
A perícia também revelou que o fã fez uma pesquisa no Google sobre o uso de detectores de metais no hotel. Ele também buscou na internet se uma munição calibre 22 era mortal ou não. “[Rodrigo] escolheu a munição 38, chamada SLP+, que é especial, com maior força de entrada e teve o cuidado de escolher um projétil que é aquela parte de chumbo que fica.

 
Ele escolheu uma bala que ter uma perfuração no meio, a qual é expansiva, ou seja, quando ela atinge o corpo, ela expande. Ela é mais lesiva”, descreveu o delegado.
De acordo com Grossi, somente uma arma foi encontrada no local do crime. Um exame residuográfico, que verifica a presença de pólvora, comprova que Rodrigo atirou. O revólver, de calibre 38, tinha numeração raspada e a Polícia Civil não conseguiu chegar ao número original. Um papel encontrado com anotações de Rodrigo comprovou que o crime foi planejado. Segundo o delegado, este papel detalhava que, se não houvesse “sucesso” no hotel, ele iria para o show room, onde Ana Hickmann participaria de um evento de moda. Se esta etapa também não desse certo, ele iria para o aeroporto atrás da apresentadora. Morador de Juiz de Fora, na Zona da Mata, Rodrigo tinha apenas passagem de ida a Belo Horizonte.

Rodrigo fez disparos no quarto e um tiro atingiu Giovana, que ficou mais de dez dias internada. Inicialmente, a polícia acreditava que dois tiros teriam atingido a assessora. O delegado definiu a briga entre os dois homens como “luta de vida ou morte”. Em depoimento, Gustavo contou que mordeu o atirador com muita força para tentar contê-lo. A lesão foi comprovada na necropsia. Rodrigo foi atingido por três tiros em um intervalo de cerca três segundos. No primeiro disparo, os dois ainda estavam em luta. Segundo o delegado, foi possível comprovar isso pela posição das lesões. Na sequência, Gustavo fez os outros dois disparos. Grossi detalhou que a luta durou até “o último minuto” e que, em nenhum momento, houve qualquer “rendição” do fã.
“A legítima defesa é sedimentada por uma sequencia de atos, não é uma prova. Para mim, o cerne da questão é o movimento no qual foi feito o disparo. Rodrigo, com a cabeça virada para o lado e com a mão voltada à esquerda. Ele tenta lutar pela arma, enquanto Gustavo também tenta lutar pela arma. Ele não ficou, em nenhum momento, submisso ao Gustavo. Não houve uma posição de submissão, de cabeça baixa, de desistência de luta. A mecânica, o laudo de local, deixa muito claro que a luta ocorreu e a luta foi até o último minuto. Não teve domínio de Gustavo sobre Rodrigo”, explicou. De acordo com o delegado, o fã não tinha consumido bebida alcóolica nem droga, e a família disse que ele não tinha passado por nenhum tratamento.

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