sábado, 30 de julho de 2016

'Foi por amor a eles', diz pastor sobre placa que sugere violência aos gays

O pastor evangélico que foi denunciado por expor na fachada de uma igreja, em Porto do Sauípe, Litoral Norte da Bahia, mensagens que sugerem que gays devem ser mortos afirmou, em depoimento ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), que não é homofóbico e que "tem sentimento de amor pelos homossexuais". O G1 teve acesso à íntegra do documento nesta sexta-feira (29). As declarações foram prestadas na quarta-feira (27), ao promotor de Justiça Dario José Kist.

Milton França Fernandes, que é pastor há 22 anos, contou em depoimento que se colocou sob o risco de ser processado por amor. "[Foi] por amor a eles [gays], para chamar atenção deles que isso não é correto", defendeu. Ele acrescentou que uma das frases expostas não revela apenas uma crença individual, mas um pensamento bíblico inspirado por Deus.

"Se um homem tiver relações com outro homem, os dois deverão ser mortos por causa desse ato nojento. Eles serão responsáveis pela sua própria morte", dizia a mensagem exposta na frente da igreja. Milton Fernandes defendeu que a frase citada está descrita na Bíblia, no livro de Levítico, em Tradução na Linguagem de Hoje, editada pela Sociedade Bíblica do Brasil. O pastor acrescentou que Deus não vai mudar as suas leis e que a sociedade é que deve adaptar-se ao que diz a Bíblia.

Sobre a placa com a mensagem "Você é livre para fazer suas escolhas, mas não é livre para escrever as consequências", Milton Fernandes disse que a frase não era voltada para o público LGBT. Ele contou que a placa estava afixada em uma rua que serve como corredor de tráfico de drogas e não foi retirada da Bíblia. O pastor afirmou que tratava-se de uma alerta sobre a consequência do uso de drogas.

Milton Fernandes ressaltou que as placas estão na igreja há três anos. Nesse período, ele contou que foi procurado algumas vezes por pessoas que se queixaram das informações nelas contidas. Em todas as situações, ele disse que conversou e convenceu as pessas sobre assertividade dos conteúdos.

Ainda que sob a convicção de que não fez apologia à violência contra os gays, segundo o MP, Milton Fernandes disse que seguiu a recomendação do Ministério Público de retirar as placas da igreja. A decisão, segundo ele, também tem com o princípio o respeito às leis de Deus, já que o respeito às autoridades também está previsto na Bíblia.

O promotor de Justiça Dario José Kist, que ouviu o pastor em depoimento, explicou que a decisão de retirar as frases já acata um dos objetivos do MP-BA com a intimação. Ele destaca que, a partir de agora, vai elaborar uma análise conclusiva sobre o conteúdo dos fatos e dos depoimentos. "Se eu entender que realmente incitou [a violência], a tendência vai ser propor uma ação penal contra ele", afirmou. Não há prazo para divulgação da análise conclusiva. O estímulo à violência é crime previsto no Código Penal, cuja pena varia de três a seis meses de prisão e multa.

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