domingo, 9 de outubro de 2016

"Governo precisa tomar medidas drásticas e impopulares", diz FHC

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso avalia que o presidente Michel Temer deve melhorar suas estratégias de comunicação para conquistar o apoio da população. Em entrevista ao jornal Correio Braziliense, FHC falou sobre a nova gestão do país, a eleição do novato João Doria à prefeitura de São Paulo e sobre a Operação Lava Jato.

"O Brasil passa por uma tremenda crise fiscal. Olha que eu peguei pepinos grandes, mas, desse tamanho, nunca vi. E o governo Temer já tem definido o seu caminho, mas as pessoas não sabem. Tem de explicar, falar", disse o ex-presidente.

"O endividamento interno é muito grande, mais ou menos, R$ 4,5 trilhões. Está bem, isso é 70% do PIB. Outros países têm muito mais alto, mas a taxa de juros aqui é de 14%. Segundo, como a economia parou de crescer, não tem arrecadação, tem despesas fixas, pessoal, compromissos e isso tudo cria um problema terrível. Acho que o governo está dando algum sinal, mas temos que tomar medidas drásticas e impopulares", avalia.

Na opinião do ex-presidente, a eleição de João Doria em primeiro turno à prefeitura de São Paulo não é um sinal claro de que os tucanos saem na frente para a disputa presidencial de 2018. "Eu acho que a relação entre eleição municipal e presidencial é relativa. Ela fortalece politicamente alguns líderes, mas você tem muito tempo. As eleições municipais servem de fundamento para a eleição no Congresso. Prefeitos são grandes eleitores, então, quando você vai bem na eleição municipal, provavelmente você terá uma boa votação no Congresso. No que diz respeito às eleições presidenciais, isso é uma conversa mais direta entre o candidato e o eleitorado", afirmou.


Questionado sobre um possível nome para as próximas eleições, FHC evitou apontar um preferido. "Claro que o Geraldo está mais nas manchetes, mas o que vai acontecer com a máquina do partido? Todos os partidos acabam se curvando relativamente à opinião pública. Quem é que vai ter mais chance daqui a dois anos? Sabe Deus quem é que vai ter. Espero que seja alguém do PSDB e espero que aconteça o que sempre tem acontecido. Eu pelo menos atuo dessa maneira. Em um dado momento, você tem que juntar", disse.

O tucano também negou a possibilidade de que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva volta ao Planalto em 2018. "Dos nossos partidos, o que era mais partido era o PT, mais organizado e tal. Mas, de liderança, o problema do PT é que ele sofreu um baque. O PT volta a ser o que era o PT no começo, quando o Lula não tinha tanta força", opinou.

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