domingo, 9 de outubro de 2016

Isaquias Queiroz quer ver novos talentos da canoagem em Ubaitaba

Ainda menino, Isaquias colocou a canoa no Rio das Contas e partiu para ganhar o mundo. Após enfrentar correntezas e marés de dificuldades, o filho de Ubaitaba, enfim, voltou para casa, e com três medalhas na bagagem: duas de prata e uma de bronze conquistadas nos Jogos Olímpicos do Rio. O jovem sonhador do interior da Bahia virou ídolo e agora inspira outras crianças a seguir seu caminho. “Espero que a cidade continue sendo valorizada. Um dia vou parar, então é preciso trabalhar no surgimento de novos atletas, para que continuem o legado no esporte. Espero que a garotada de Ubaitaba se influencie e pense que é possível, olhe para meu exemplo e sinta que é capaz”, torce.

Ubaitaba significa ‘Terra das Canoas’ em tupi-guarani. O Rio das Contas, que atravessa o município com pouco mais de 20 mil habitantes, foi o primeiro local de treinamento de Isaquias. Canhoto, ele impressionou com suas remadas, que o levaram ao Mundial de Canoagem: foi ouro em 2013, 2014 e 2015, além de obter outras duas medalhas douradas no Pan-Americano de Toronto-2015. Quem olha para a vasta coleção, no entanto, não imagina o quanto ele remou contra a maré: aos 10 anos teve de extrair um rim após cair de uma árvore. Aos 21, sofreu um grave acidente de carro, mas saiu ileso. Águas passadas. Apontado como fenômeno do esporte brasileiro, o baiano se consagrou na Olimpíada, e se tornou o maior medalhista do país em uma única edição dos Jogos. Conquistas de quem sempre teve a vontade de fazer a diferença.

“Quando eu era criança, nunca quis ser só mais um na sociedade, queria ser diferenciado. Hoje eu consegui que tudo mundo me reconheça pelo meu trabalho: sou o Isaquias da canoagem. Minha participação na Olimpíada foi para além de Ubaitaba, foi para todo o Brasil”, diz. Medalhista nas categorias C1 200m, C1 1000m e C2 1000m — esta última ao lado do também baiano Erlon de Souza —, Isaquias ganhou fama após o Jogos, mas ainda fica desconcertado ao ver os rios de lágrimas nos olhos das crianças. *Matéria do IG

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