segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Parecido com retrato falado, rodoviário teme ser confundido com bandido: 'Mandaram eu ficar em casa'

O motorista de ônibus Gabriel Cruz do Nascimento, de 46 anos, está com medo de ser confundido com o suspeito de ter matado o policial militar Gilberto Miranda de Andrade, 56 anos, dentro de um ônibus na região da BR-324. O motivo é a sua semelhança com retrato falado divulgado pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) na última sexta-feira (28).

Gabriel soube do retrato falado depois de receber a imagem de familiares e amigos pelo WhatsApp comparando a foto com o rodoviário. "Um amigo recebeu uma reportagem pelo 'Zap' e me encaminhou. Até eu achei parecido. E depois que tirei a barba fiquei mais parecido ainda", comentou.
Na manhã deste domingo (30), o motorista esteve na sede do jornal CORREIO, depois de tentativas frustradas de falar com a polícia. "Hoje de manhã saí de casa e fui até o DHPP para conversar com os delegados e me precaver. Como hoje é domingo, me falaram que só amanhã para eu esclarecer isso", contou motorista.

Ainda preocupado, o rodoviário esteve na 1ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Pernambués). "Conversei com o tenente, mas ele me disse que eu deveria procurar a imprensa e depois ficar dentro de casa até falar com os delegados do DHPP amanhã. Até o cara (suspeito) ser preso, os colegas do PM podem me pegar na rua e eu pagar pelo que não fiz", comentou indignado.


Segundo Gabriel, nenhum registro policial foi feito e a solução é aguardar até esta segunda-feira (31) para tentar novamente falar com algum delegado envolvido no caso.

O retrato
A imagem foi produzida pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) com ajuda de uma testemunha. "Com a ausência das imagens das câmeras dos ônibus, utilizamos as técnicas dos nossos peritos para produção dessa imagem", disse o delegado Odair Carneiro, coordenador da Força-Tarefa que investiga morte de policiais.

Também foi divulgado trecho de um circuito de câmeras de uma empresa privada que mostra passageiros correndo depois dos tiros. Segundo os relatos, o homem que passa mancando nas imagens é um dos ladrões, que entrou em luta corporal com o sargento da reserva. "Colhemos os depoimentos de dez pessoas e essas informações certamente nos ajudarão na elucidação desse crime", disse.

Crime
Gilberto e o passageiro Josenildo Santos Reis, 41, morreram durante um assalto ao ônibus da empresa OT Trans que fazia a linha Narandiba/Nova Brasília, por volta das 19h de quinta-feira. Segundo testemunhas, os três bandidos entraram no coletivo na Vila Canária. Cerca de 15 minutos depois, quando o veículo deixou a sinaleira e entrou na rua Somália - próximo à Brasilgás - eles anunciaram o assalto.

Os bandidos começaram a recolher os pertences dos passageiros até que Gilberto reagiu. Houve luta corporal e os assaltantes atiraram contra a vítima. Os disparos se concentraram na cabeça do policial e uma das balas perdidas atingiu Josenildo, que estava voltando do trabalho. 

O motorista parou o veículo quando ouviu os tiros e abriu as portas. Os passageiros desceram às pressas e os bandidos aproveitaram para fugir. Ninguém foi preso até o momento e as duas vítimas morreram no local do crime. O policial tinha passado o dia com a mãe, em Sete de Abril, e estava voltando para casa quando tudo aconteceu. Ele deixou sete filhos. 

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