terça-feira, 25 de outubro de 2016

Policial morto em São Gonçalo do Retiro foi confundido com bandido

O maqueiro e mototaxista Alexandre dos Santos Silva, o Xande, 29 anos, foi preso depois de confessar ter matado o policial militar Daniel Santana de Alcântara, 38, em São Gonçalo do Retiro, na terça-feira (18). O PM voltava de uma festa quando foi baleado na Rua Direta, por volta das 23h30. Até outubro, 20 policiais foram assassinados na Bahia. 
À polícia, Alexandre contou que pensou que Daniel fosse, na verdade, um bandido. Ele fugiu logo após o crime, levando a arma do PM, um revólver calibre 38. Segundo a polícia, Xande foi identificado como o autor do disparo no dia após o crime, mas não foi localizado pelos investigadores. 

Na sexta-feira (21), foi expedido o mandado de prisão temporária para o suspeito e à noite ele se apresentou na delegacia acompanhado de um advogado. Nesta segunda-feira (24), ele levou os investigadores até um terreno baldio onde havia escondido a arma do crime. O revólver estava enterrado próximo à casa do suspeito, em São Gonçalo do Retiro.

Segundo o titular da Delegacia de Homicídios Múltiplos (DHM), Odair Carneiro, Xande confessou o crime e mostrou arrependimento durante o depoimento. Ele ele não tem passagem policial, foi encaminhado para o sistema prisional e a polícia descartou a participação de outras pessoas no assassinato. 

Alexandre trabalhava como maqueiro no Hospital Otávio Mangabeira e é pai de uma menina de 1 ano. Durante a apresentação, na tarde desta segunda, na sede do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), ele não quis comentar o assunto. A investigação aconteceu em parceria com o Comando de Policiamento Regional da Capital (CPRC/ Central). 

O crime 
Segundo o delegado, o policial saiu de uma festa na Mata Escura por volta das 23h, acompanhado por um amigo. O homem desceu do carro nas imediações do supermercado Hiper Bompreço, no Cabula, e o policial seguiu por mais alguns metros até perceber que o pneu do carro havia furado. 
Daniel foi socorrido com vida, mas não resistiu
"Ele resolveu entrar no São Gonçalo do Retiro para descer por uma ladeira até a BR-324 e chegar a uma borracharia, no Bom Juá, que funciona durante à noite. Só que ele passou do local, pegou a ladeira errada e entrou em uma rua sem saída. Ele perdeu o controle do carro e bateu em dois veículos que estavam estacionados na rua. Então, desceu do carro e tentou conversar com os moradores", contou o delegado.

Testemunhas contaram aos investigadores que Daniel não se identificou como policial, mas havia dito que pagaria pelos prejuízos e algumas pessoas o orientaram a deixar o carro onde estava para pegar no dia seguinte, com o auxílio de um guincho. O PM ainda conversava com os moradores quando foi surpreendido por Alexandre.

"O acidente aconteceu em frente à casa de Xande. Ele chegou, viu a arma na cintura do policial, se aproximou e sacou o revólver do PM. Nesse momento, o policial correu para tentar se proteger, mas foi baleado nas nádegas. A bala saiu na perna e no trajeto acertou a veia femoral", afirmou carneiro. 

O policial foi socorrido por uma viatura da 23ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/ Tancredo Neves) para o Hospital Geral Roberto Santos, no Cabula, onde morreu durante a madrugada. Daniel era lotado no 18º Batalhão da Polícia Militar (BPM/Centro Histórico) e o corpo dele foi sepultado no dia seguinte depois do crime.

Balanço
De acordo com o delegado Odair Carneiro - que também integra a Força-tarefa criada pela Secretaria de Segurança Pública para investigar crimes contra policiais - 20 policiais foram mortos na Bahia em 2016, sendo que 18 das vítimas eram PMs e as outras duas da Polícia Civil.
Retrato falado do suspeito de matar Jorge Januário
A diferença nos números, segundo a polícia, é por conta do contingente policial. A PM tem 32 mil servidores, enquanto a policial civil tem cerca de 6 mil e o Corpo de Bombeiros, aproximadamente, 8 mil pessoas.

Nove dos 20 casos aconteceram em Salvador e outros dois na Região Metropolitana. A polícia prendeu 18 pessoas relacionadas aos crimes e outros 15 suspeitos morreram durante as investigações (autos de resistências). Ainda segundo a polícia, dos 20 casos de policiais assassinados, 15 foram resolvidos. 

Em Salvador, o único caso ainda não solucionado é a morte do policial militar do Batalhão de Choque Jorge Januário da Silva Filho, 32, que morreu depois de ser baleado na Boca do Rio, no dia 1º de outubro. Ele estava conversando com alguns amigos na rua quando homens passaram em um carro branco e dispraram contra a vítima. Ele morreu no local e dois dias depois a polícia divulgou o retrato falado de um dos suspeitos. 

Segundo a polícia, o suspeito é um homem negro, magro, de bigodes, aparentando entre 18 e 25 anos de idade e 1,70m de altura. Qualquer informação que possa auxiliar a polícia na identificação do suspeito deverá ser encaminhada por meio do Disque-Denúncia, 3235-0000, ou do telefone do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), 3116-0000.

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