sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Saiba como Nel do Bar trabalhou se tornar vereador em Itabuna

Por Celina Santos/Diário Bahia
A tônica de transformar líderes comunitários em vereadores é mesmo a característica mais forte da eleição de 2016 em Itabuna. Um dos 14 ditos “novatos” é Manoel Farias da Silva, mais conhecido como Nel do Bar (PPS). Aos 51 anos, ele vem do bairro São Lourenço e chegou à vitória na terceira candidatura.

Nel esteve na redação do Diário Bahia numa tarde de sexta-feira, acompanhado de dois dos 15 amigos que trabalharam diuturnamente na campanha – de forma voluntária. De óculos escuros, para disfarçar a aparência cansada, ele disse que ainda não está dormindo direito e tem se dedicado a visitar cada casa de onde partiram os 1.098 votos que recebeu, em vários bairros. “Agradeço a Deus e às pessoas que confiaram em mim”, declarou.

De aparência simples, o vereador eleito parou os estudos na então 8ª série do ensino fundamental, considera que cresceu no conceito popular (teve 380 votos ao disputar pelo PCdoB e 687 pelo PRTB, ficando na condição de suplente) e enxerga claramente os motivos: “Cada eleição é uma história; o meu trabalho foi mais continuado e corrigindo os erros. Nas outras eu falava muito e ouvia pouco; agora, estou ouvindo mais e falando menos”.

Líder do faxinaço

Como o apelido sugere, Nel possui um bar há 30 anos no São Lourenço, bairro com seis mil habitantes. É exatamente esse tempo que ele tem como morador do local, junto com a esposa. A família inclui, ainda, três filhos e três netos. A popularidade junto à vizinhança garantiu a ele a experiência de cinco anos como presidente da Associação de Moradores.


O cargo serviu, também, para mostrar o perfil de líder daquele morador. Ele mobilizava a comunidade em mutirões para limpeza do lixo (faxinaço) e concretagem de ruas. “Se o Ministério Público disser que podemos fazer, vamos dar continuidade não só no São Lourenço, mas em vários bairros de Itabuna”, adiantou.

Como representante do bairro, promovia festas populares em datas especiais, a exemplo do Dia das Crianças e São João. Além de reivindicar soluções para os problemas locais. “Vivo numa comunidade carente. Como líder comunitário, eu não podia ter forças para trazer os benefícios. Como vereador, terei mais força, através de reivindicações”, afirmou.

Prestes a viver a primeira experiência no Legislativo, Nel do Bar já contratou uma assessoria jurídica, para respaldar sua atuação. No mandato, ele disse que pretende levar bandeiras do bairro de onde veio, como Saúde (posto com funcionamento ruim), infraestrutura, esporte/lazer (incentivo a outras modalidades, e não apenas o futebol).

A seguir, parte da entrevista sobre as articulações políticas do momento.

Como o senhor se posiciona diante das articulações para a eleição da mesa-diretora da Câmara?

Eu estou do lado de uma política transparente, porque o eleitorado quer uma política diferenciada das outras; estamos do lado da sociedade. Onde for bom para a sociedade, Nel do Bar estará dando sua contribuição.



Especificamente sobre a eleição da mesa, como o senhor está conversando com os colegas?

Tem nomes preparados para representar a Câmara de Vereadores. Estamos em conversa com todos. Estou pronto pra conversar com todo mundo e [no cargo] assinar aquilo que é correto para o meu mandato e para a comunidade itabunense.

O senhor quer fazer parte da mesa-diretora?

Fazer parte sim, mas não como presidente.

Não quer ser presidente por ser um vereador novato?

Eu me sinto em condições de fazer parte da mesa; não como presidente nem vice. [Na mesa] vou contribuir para que o presidente desenvolva um bom trabalho.

Quem terá o seu apoio para presidir o Legislativo?

Tem que ser um presidente transparente, capacitado e fazer o que se espera de uma Câmara de Vereadores. Quero apoiar um futuro presidente da Câmara que tenha condições de ser o prefeito interino, caso seja necessário.

 Que postura espera ter diante do prefeito de Itabuna?

Defendo parceria entre presidentes de associação, vereadores e Executivo. Uma união entre as três entidades. A cidade vai ganhar com isso.

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