segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Discussão sobre serra elétrica e choro de Elize marcam 1° dia de júri

O julgamento de Elize Matsunaga, acusada de matar e esquartejar o marido Marcos Kitano Matsunaga, foi suspenso por volta das 19h15 desta segunda-feira (28) após o depoimento de três testemunhas: duas babás do casal e o detetive contratado por Elize para flagrar o marido com uma amante. O júri será retomado na manhã desta terça-feira (29). Elize vai dormir numa Centro de Detenção Provisória (CDP). Mais 16 testemunhas ainda devem ser ouvidas.

Elize chorou várias vezes durante o primeiro dia do júri. Teve testemunha passando mal, discussão entre acusação e defesa e a discussão sobre a compra de uma serra elétrica por Elize na véspera do crime, ocorrido em 19 de maio de 2012. "Elize está muito emocionada, ela viu hoje o quanto ela foi humilhada pelo marido e rever tudo isso, em depoimentos, é difícil", justificou Roselle Soglio, advogada de defesa.

Elize é ré no processo no qual responde presa pela acusação de homicídio doloso triplamente qualificado (motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima), destruição e ocultação de cadáver. Ela confessou que atirou na cabeça da vítima com uma arma e depois a esquartejou em sete partes. A acusação diz que Marcos estava vivo quando foi decapitado pela esposa. A defesa alega que ele já estava morto. O júri é formado por quatro mulheres e três homens.

Avaliações
Após o encerramento, o promotor José Carlos Consenso fez críticas à defesa de Elize. Na avaliação dele, embora os depoimentos tenham ajudado a endossar as provas do Ministério Público, era esperado que mais testemunhas tivessem sido ouvidas.

"Eu achei que os trabalhos foram bons, mas eu acho que poderia ter avançado mais. Eu achei muito morosa a colheita, até por uma insistência absurda da defesa. Ficar perguntando, perguntando algo que não tinha nenhuma substância naquele momento”.

Luiz Flávio D'Urso, assistente de acusação, também avaliou positivamente as informações obtidas nos três depoimentos. “Em termos de prova para a acusação foi extremamente importante", defendeu.

Na visão dele, a revelação de que Elize comprou uma serra elétrica nas vésperas de cometer o crime reforçam que a ré já havia planejado executar o marido. “Há elementos que nos trazem convicções de que o crime foi premeditado.”

E explica que a premeditação reforça as qualificadoras – Elize responde por homicídio triplamente qualificado. “Do motivo torpe, que é vingança e dinheirinho, o método foi de surpresa, impedindo qualquer defesa da vítima e o terceiro foi o meio cruel que ainda vai ser objetivo de demonstração da prova já colhida.”

D'Urso diz ter convicção de que Marcos foi esquartejado ainda vivo. “A prova técnica demonstra que ela, depois que disparou, Marcos não morre, e vem a falecer em razão de asfixia respiratória por aspirar sangue em razão da degola. Vale dizer: ela começa a esquarteja-lo vivo.”

Para Roselle Soglio, advogada de defesa de Elize, o material colhido nesta segunda comprova o que já nos autos. "O crime nunca foi premeditado. Já no primeiro dia de depoimentos ficou provado pelas três testemunhas que estiveram aqui que ela nunca premeditou esse crime."

"A ênfase na serra elétrica é excelente para defesa. Que a acusação continue falando isso, porque se alguém premeditou o crime de comprar uma serra elétrica por que não a usou? Essa é única pergunta que tem que ser feita para acusação", completa Luciano Soglio, também representante da defesa da ré.

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