quinta-feira, 3 de novembro de 2016

“Escorraçados”, moradores amargam a dor e o desespero de não ter para onde ir

Ele e a família, durante 15 anos, fincaram “raízes”, criaram laços, ganharam amigos, se estabeleceram. Mas, em frações de segundos, da noite para o dia, viu todo o seu mundo desmoronar. Toda a sua história foi resumida num velho caminhão, que carregava em meio à poeira da estrada de chão, tudo o que conquistou, entre os quais alguns móveis, mas o peso maior da carga era a tristeza e a desolação.
Nesta sexta-feira (04), faz 15 dias que o comerciante João Gonçalves de Brito seguia na boleia do caminhão de mudanças e conseguiu emocionar a todos quanto assistiram sua breve entrevista à TV Santa Cruz, no momento em que deixava, desolado, o bairro Parque dos Rios, em Itajú do Colônia. “Só Deus sabe”, respondeu ao ser questionado pela repórter.

Seu João foi obrigado a deixar sua casa, após ser “escorraçado” por um grupo de aproximadamente 500 índios pataxós hã hã hãe, em mais um capítulo de uma “novela” regada a conflitos, protestos, impasses e um final muito infeliz para centenas de famílias.

O clima no local continua tenso, mesmo após a aparente solução, de devolver aos índios as terras de sua propriedade. Mas, e os moradores? Mesmo diante da promessa de que eles seriam realocados, não é isso que vem acontecendo. 

“Procurando um encosto por aí”
Ninguém sabe para onde o comerciante foi após sair às pressas do bairro. Seu Inário, outro morador, ainda estava na casa, onde viveu por mais de 30 anos, quando as imagens foram feitas. No entanto, a essa altura do campeonato, já nem sabemos mais.

Quem garante que ele, assim como o vizinho João, não foi intimidado pelos índios a ir embora, antes que seu novo lar fosse providenciado? No dia da reportagem da TV Santa Cruz, seu Inário, sequer imaginava qual seria seu futuro. “Vou procurar algum encosto por aí. É o jeito, né”, disse.

O medo era patente nos olhares dos moradores, depois que os índios ganharam o direito de reintegração de posse, garantido no último dia 18, numa reunião no Ministério Público Federal (MPF) de Ilhéus, com representantes da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da prefeitura municipal. 

Entretanto, as coisas não parecem estar caminhando como deveriam. Na reunião do MPF, ficou definido que os pataxós já poderiam começar a tomar posse dos terrenos baldios e das casas abandonadas do bairro, enquanto os outros imóveis da região fossem desapropriados, gradativamente. Não consta, porém, no tal acordo, que eles teriam o direito de expulsar alguém.

O futuro prefeito, eleito no último pleito, se comprometeu a dar suporte na indenização das famílias e providenciar uma nova área para realocar os moradores que moram no bairro Parque dos Rios. Mas, e até lá, o que acontecerá com as demais famílias, que vivem sob ameaça dos “donos” das terras?

Queremos deixar claro que não estamos nos opondo ou criticando a decisão da Justiça, muito menos o direito de posse dos indígenas, uma vez que em 2012, o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a área, de pouco mais de 54 mil hectares, pertencente aos índios pataxós Hã Hã Hãe. 

O que estamos aqui questionando é a conduta, inadmissível, por sinal, de um grupo de índios que se julga acima da lei e se acha no direito de deixar pais de família, idosos, crianças e gestantes no “olho” da rua. Se já tiveram assegurado a posse das terras, por que não esperar o tempo certo? Por que não respeitar o mesmo direito concedido aos seus vizinhos?

Veja vídeo 
A grosseria e a arrogância dos índios foram sentidas na pele pela própria equipe de reportagem da Santa Cruz. Um grupo se aproximou da repórter e do cinegrafista, intimidando-os a deixar o local. Segundo um indígena, que se identificou como “cacique”, a repórter teria que pedir uma autorização à Funai para gravar no local, num atitude de extremo desrespeito à liberdade de imprensa. A equipe foi obrigada a se retirar do bairro. 

Com a palavra a Funai!


Por Verdinho Itabuna

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