quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Pesquisador baiano identifica caso inédito de glaucoma

Um caso inédito de glaucoma congênito, em um bebê com microcefalia decorrente do zika vírus, foi descrito pelo pesquisador Bruno de Paula Freitas, oftalmologista do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS). O trabalho foi publicado, na terça-feira, 30, na revista Ophthalmology, considerada um veículo de grande impacto internacional na área.

Os estudos de Freitas começaram em dezembro do ano passado, ao avaliar as relações do zika com a condição neurológica. “É comum que esses pacientes tenham alterações oftalmológicas derivadas da Síndrome da Zika Congênita, que gera lesões na retina. Não havia, no entanto, casos relacionados ao glaucoma”, explicou o especialista.

“Inicialmente, o paciente foi avaliado e notamos a lesão clássica que decorre da síndrome. Três meses depois, durante uma revisão, notamos um avanço nessa lesão, aliado ao desenvolvimento da fotofobia, que é a sensibilidade à luz”, completou o oftalmologista.

Após o diagnóstico do quadro de glaucoma, o bebê foi operado, no próprio hospital, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “É importante que se faça o reconhecimento o mais breve possível, pois a lesão do glaucoma pode levar tanto à cegueira quando a perda do olho. O tratamento cirúrgico tem que ser imediato, porque o quadro se agrava rapidamente”, alerta.

Ocorrência

Apesar da gravidade da doença, Freitas explica que o glaucoma congênito, nestes casos, são lesões atípicas.

“Os bebês com microcefalia por conta do zika estão mais suscetíveis a desenvolver danos oftalmológicos, no entanto, os casos de lesões da Síndrome da Zika Congênita são mais frequentes. Dentre os 300 pacientes que tratamos no HGRS, cerca de 40% desenvolvem lesões no nervo óptico, mas esse é o primeiro caso confirmado de glaucoma. Temos ainda outros dois não confirmados”, finaliza Freita.

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