quarta-feira, 12 de abril de 2017

"Caso Nadson": policial que dirigia viatura no dia do acidente é absolvido

O júri do "Caso Nadson" ocorreu durante toda esta terça-feira (11) no Fórum Ruy Barbosa, na cidade de Itabuna. Por volta das 20h30, o jurados chegaram a um veredicto e o soldado Feitosa, que dirigia a viatura da Polícia Militar no dia do acidente, foi absolvido da acusação de dolo eventual.

Nadson Pereira de Almeida, 14 anos, morreu em 16 de fevereiro de 2014 após fugir de uma blitz realizada pela polícia no bairro Lomanto. Durante a fuga, o adolescente caiu da moto e morreu. Na época, populares se revoltaram com o ocorrido e, no dia do acidente, praticaram ações de vandalismo. A Avenida J.S. Pinheiro, a BR 101 e a BR 415 foram fechadas. Um ônibus da ROTA foi incendiado, assim como diversos veículos no pátio da Settran. Um ônibus da Águia Branca foi apedrejado e passageiros tiveram a carga saqueada. O Exército e a Tropa de Choque precisaram ajudar para conter a população.

Testemunhas de acusação

No júri, cinco testemunhas de acusação afirmaram que Nadson teria caído da moto após haver uma colisão com a viatura. Os advogados de defesa Silvio Bute e Jorge Nobre trabalharam com imagens da rua onde o acidente ocorreu, mostrando nas fotos onde eram as casas das testemunhas, que afirmaram que estavam nas portas das casas no momento da fatalidade. Por meio das fotos, o advogado Silvio Bute apontou que não havia proximidade o suficiente com o local do acidente para que as pessoas que depuseram pudessem ter visto com tantos detalhes o ocorrido.

Testemunhas de defesa

Quatro policiais que participaram da ação no bairro Lomanto também depuseram sobre o acidente. Todos ressaltaram que realizaram o acompanhamento após a fuga de Nadson, pois não havia como precisar o motivo da fuga e nem se seria um criminoso. Um dos PMs destacou que os motivos para uma fuga podem ser diversos, desde uma pessoa sem habilitação a um bandido armado. Outro ponto destacado nos depoimentos foi de que, em casos de perseguição, os policiais precisam manter uma distância segura, tanto para evitar acidentes com o suspeito como para evitar riscos para a guarnição, uma vez que a pessoa em fuga pode estar armada e tentar atirar contra a polícia.

Nos depoimentos, um policial relatou que várias ordens de parada foram dadas a Nadson durante o acompanhamento. Ao ser questionado pela defesa o que os PMs fariam caso o adolescente tivesse obedecido e parado, ele explicou que era uma situação em que Nadson seria entregue ao pai, com quem os policiais conversariam.

Uma das testemunhas ainda ressaltou que soldado Feitosa é considerado um excelente policial. "Quem chega depois (na Companhia) até procura alguém de caráter que já está lá para se espelhar. E Feitosa é uma dessa pessoas", ressaltou o colega de Companhia. 

Soldado Feitosa

O soldado Feitosa contou que Nadson se desequilibrou após passar por um quebra-molas e seguiu por um trecho com a moto desequilibrando até cair. Ele também reafirmou que o tempo todo manteve a distância de segurança.

Assim como os colegas, ele relatou que, no momento do acidente, populares no local não estavam contra a polícia e sim compreensivos quanto a ação de segurança. Mas, após a chegada de suspeitos conhecidos por envolvimento em crimes na cidade, a população foi incitada contra a polícia. 

Feitosa ainda relatou que sempre teve admiração pelo trabalho da Polícia Militar. A defesa destacou que o PM, casado e pai de uma garota de 6 anos, é considerado um policial e um homem exemplar.

Ao ser questionado sobre trabalho, ele explicou que começou a trabalhar aos 14 anos no comércio com o pai. Ainda respondendo à perguntas, o soldado relatou que o pai faleceu após um infarto em 2016. Segundo o PM, o pai teria começado a agravar o estado de saúde após ver o filho sendo acusado pelo acidente. Desde então, ele estava abatido e deprimido, até que sofreu um infarto e não sobreviveu.

Laudo do DPT

Os advogados de defesa Silvio Bute e Jorge Nobre trabalharam também em cima dos laudos emitidos por meio de perícias e de necropsia do Departamento de Polícia Técnica. O laudo não aponta atropelamento.

Os advogados ressaltaram veementemente que não seria correto se os jurados condenassem um homem a prisão sem provas, apenas baseados em depoimentos de testemunhas, que segundo ressaltado pela defesa, não estavam tão próximas ao acidente e eram amigas da família do adolescente. 

Silvio Bute ainda destacou um trecho da Bíblia. “…Qual quereis que vos solte? Barrabás ou Jesus, chamado Cristo? … E eles disseram: Barrabás. Disse-lhes Pilatos: Que farei então com Jesus, chamado Cristo? Disseram-lhe todos: Seja crucificado” (Mateus 27:17, 21 e 22).

Resultado

Por volta das 20h30, a juíza Márcia Melgaço proferiu a decisão de absolvição dos jurados. O resultado foi recebido com muita alegria pelos diversos policiais que acompanhavam o júri. Soldado Feitosa, que até então aparentava bastante tensão, demonstrou muita emoção e recebeu o carinho dos familiares e dos amigos. (Verdinho Itabuna)

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