quinta-feira, 1 de junho de 2017

Ilheus: Avançam as obras da Ponte do Pontal, a primeira estaiada da Bahia

Nove meses depois de iniciada, a nova ponte que irá ligar a zona sul ao centro de Ilhéus, na região sul do estado, já tem 13% de sua engenharia executada, 200 trabalhadores em atividade e a previsão de entrega de uma das obras mais esperadas pela população do município no prazo de 15 meses. A intervenção está sendo executada pelo Governo da Bahia, com investimentos de R$ 99,6 milhões, e vai estimular o desenvolvimento para a população de sete municípios cortados pela BA 001.

A primeira ponte estaiada da Bahia desafogará a velha Ponte Lomanto Júnior – a única que liga desde 1966 o continente à ilha de São Jorge dos Ilhéus. O equipamento terá 533 metros de comprimento e 24,6 metros de largura e contará com passeio, canteiro central, pistas duplas nos dois sentidos e uma ciclovia. O conjunto da obra inclui 2,2 quilômetros.
Para o superintendente de Infraestrutura de Transportes do Governo da Bahia, Saulo Pontes, quando concluída, a nova ponte estaiada facilitará a ligação entre as orlas norte e sul, complementando a beleza da Baía do Pontal e melhorando a mobilidade urbana de ilhéus. “Um dos cartões postais de Ilhéus está prestes a ganhar mais ingredientes de beleza. O sul da Bahia, mais mobilidade. E novos caminhos estarão abertos pelo governo estadual para a pavimentação do novo e importante momento do desenvolvimento regional”.

A nova ponte terá uma formatação mais moderna, valorizando ainda mais as belezas da Baía do Pontal, e beneficiará mais de 510 mil habitantes dos municípios de Ilhéus, Itabuna, Una, Canavieiras, Buerarema, Itacaré e Uruçuca, além de favorecer o turismo na região. Além disso, prepara o sul da Bahia para receber novos investimentos privados e públicos que incluem a Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol) e o Porto Sul, também atraídos pelo Governo da Bahia, dando outro ritmo à economia regional.

Segundo o engenheiro Suzano Mendes, gerente de contrato da obra, a ponte terá estrutura mista. Serão 298 metros de trecho estaiado, com estrutura sustentada por cabos. Os 235 metros restantes serão formados por conjunto armado. “Já passamos pela fase de engenharia que ninguém vê a obra”. 

Agora, a construtora trabalha para levantar um dos símbolos da nova ponte - a fundação do mastro principal, que terá 20 fundações em estacas encravadas com diâmetro de dois metros, a 31 metros de profundidade. A operação deve durar 90 dias. Em seguida, será a vez da montagem do ‘Balanço Sucessivo’, um diferencial da obra, por ser um método de construção da superestrutura (parte superior) da ponte, sem necessitar de apoio externo (uso de estacas) para dar continuidade da expansão da ponte. O prazo é de mais 10 meses.

A engenharia singular da obra aguça a curiosidade até de estudantes de Engenharia da região. Toda sexta-feira à tarde, os engenheiros destinam parte do tempo às visitações dos alunos das faculdades regionais. Marine Dias e Paola Marroche, estão no 7º período de Engenharia Civil, da Faculdade Madre Thaís, de Ilhéus. Paola comemora ver em campo o que só aprende na teoria. “É, de fato, outro mundo isso aqui”, completa Marine.

Oportunidades

Com 63 anos, o carpinteiro Albérico de Souza Novaes estava desempregado desde 2016. A idade avançada que, para ele, se tornara um problema para recomeçar na profissão, se agravava pelo fato de quase não saber ler nem escrever. Hoje, além de funcionário da obra, ele se prepara para ser um aluno da Escola da OAS. Nos próximos meses, a empresa vai formar salas de aula para alfabetizar seus funcionários que tiveram, quando jovens, poucas oportunidades na escola.

Secretário de Planejamento e Desenvolvimento Sustentável e vice-prefeito de Ilhéus, o historiador José Nazal destaca que o Governo do Estado fez um grande acerto ao escolher a Baía do Pontal para a implantação da obra. “Torcemos para que este ritmo da obra continue intenso, para que, em breve, possamos inaugurar aquilo que foi pensado e sonhado pelos ilheenses há mais de 50 anos”. 

O prefeito de Ilhéus, Mário Alexandre Sousa, explica que, quando estiver concluída, a velha ponte e a nova vão funcionar nos dois sentidos. Elas devem vão dividir um fluxo diário de 8.500 veículos, no período de baixa estação, trafegando entre o centro e a zona sul.

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