domingo, 4 de junho de 2017

Pesquisa revela dura realidade da gestantes presas

Sentir contrações; manter respirações curtas e constantes; empurrar o próprio filho para fora do corpo. O processo, natural, porém complexo, tem um desafio extra para mulheres que integram o sistema carcerário. Muitas deram à luz algemadas, conforme pesquisa “Nascer na Prisão”, feita pela Fiocruz sob encomenda do Ministério da Saúde. A lei que proíbe algemar parturientes só entrou em vigor no último dia 12 de abril.

O estudo, divulgado pelo jornal O Globo, revela os bastidores das detentas que têm filhos recém-nascidos nas cadeias brasileiras. Conduzido entre agosto de 2012 e janeiro de 2014, em 27 prisões, a pesquisa ouviu 241 mães e pelo menos 200 gestantes.

Dentre as entrevistadas, 36% denunciam que não tiveram acesso adequado ao pré-natal; 15% afirmaram terem sofrido violência; 81% das entrevistadas foram presas quando já estavam grávidas.

"A grande maioria não está condenada, e sim aguardando julgamento. A maior parte delas foi presa por tráfico (68%), não raro por tentar levar drogas para o marido preso ou guardar droga do marido em casa. E 31% delas chefiavam a família fora da prisão. A maioria (83%) já tinha filho antes. É uma perversidade grande a prisão dessas mulheres", detalhou Maria do Carmo Leal, pesquisadora responsável pela pesquisa.

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