sexta-feira, 21 de julho de 2017

Do banco dos réus ao presídio: quase 30 anos de prisão para marido que mandou matar empresária em Camacan

A morte de Kátia Cristina provocou uma repercussão gigantesca em todo o estado. Não só amigos e familiares, mas uma cidade inteira ansiava por essa sentença

Fórum lotado, muita expectativa, tensão e, finalmente, a sensação de que a Justiça foi feita. Assim poderíamos resumir o julgamento do empresário Edvan Ribeiro Santana, apontado como mandante da morte da própria esposa, a também empresária Kátia Cristina Lima. O crime, que aconteceu em dezembro de 2010, chocou toda a população e repercutiu em todo o estado na época.

O júri, realizado nesta quinta-feira (20), no Fórum de Camacan, palco do assassinato, durou quase 12 horas, quase um dia inteiro. Somente por volta das 20 horas é que o tão esperado resultado saiu. E o juiz Felipe Renomato leu a sentença: 28 anos de prisão em regime fechado, quase a pena máxima.  Além disso, Edvan não tem o direito de recorrer em liberdade. O empresário deixou o Tribunal do Júri, calado e cabisbaixo. Não quis falar com a imprensa e tentou cobrir o rosto.

Durante todo o processo, o réu alegou inocência e não mudou de versão. O agente Lúcio Serra, da 6ª Coordenadoria de Polícia Civil de Itabuna, foi quem conduziu o réu até o Complexo Policial de Itabuna, de onde, após os procedimentos de praxe, será encaminhado para o Conjunto Penal desta cidade, fato que deve ocorrer na manhã desta sexta-feira (21).

Kátia Cristina Lima
O crime
Kátia foi friamente executada aos 30 anos de idade, logo após sair de um culto na Igreja Assembleia de Deus, por volta das 21 horas do dia 27 de dezembro de 2010. O matador de aluguel, Reginaldo Amaral, o “Regi”, já foi julgado em 2014 e condenado a uma pena igual à de Edvan. Nesse mesmo júri, em 2014, uma terceira foi condenada: o pistoleiro Ovídio Santos Sampaio, responsável por intermediar a contratação de Reginaldo. Ovídio pegou 30 anos de prisão.

A empresária foi morta na frente da mãe, e dos filhos, na época, menores de idade. O crime também foi assistido por dezenas de evangélicos, membros da igreja frequentada pela vítima, que foi atingida por dois tiros: um no ouvido e outro na testa. Kátia era dona de uma rede de supermercados em Camacan.

A mulher, segundo os autos do processo, teria descoberto que o marido estaria lhe traindo e, por causa disso, planejava pedir o divórcio. Edvan, temendo que a esposa fosse beneficiada na partilha dos bens, teria encomendado a morte dela. Ainda de acordo com as investigações feitas na ocasião, Katia tinha uma gravação em CD que provava a infidelidade do empresário.

“Cartadas da defesa”
Marcado por polêmicas e tentativas desesperadas por parte da defesa em adiar quantas vezes pudesse esse júri, o caso da empresária Kátia Cristina, mobilizou não só a polícia, mas uma cidade inteira, que esperou por longos 7 anos até o julgamento.

Vídeo:

Numa última “cartada”, a defesa do réu pediu, mais uma vez o adiamento, dessa vez sob o argumento de que o filho de um dos advogados do empresário estaria com uma cirurgia marcada para esta quinta-feira, exatamente o dia do júri. Só que o juiz não acatou tal justificativa.

Edvan aguardava o julgamento em liberdade. Chegou a ser preso pelo agente Lúcio Serra, em 2011, no shopping Jequitibá, em Itabuna, em cumprimento a um mandado de prisão, mas foi solto alguns dias depois.





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