segunda-feira, 31 de julho de 2017

Frigorífico aposta em abate de jumentos na BA visando exportação de carne e derivados para o mercado asiático

Frigorífico aposta em abate de jumentos na BA visando vender carne e derivados ao mercado asiático. (Foto: Wilson Gomes/Agência Diário)
Um frigorífico localizado no município de Amargosa, a cerca de 240 quilômetros de Salvador, iniciou o abate de jumentos visando vender carne e derivados ao exterior. A empresa diz que gera 150 empregos diretos e 270 indiretos com o negócio e que vai produzir cerca de 300 toneladas de carne por mês para exportação ao mercado asiático.

O abate de jumentos foi iniciado na unidade no dia 26 de julho. É o primeiro frigorífico a realizar esse trabalho no estado visando exportação, segundo o governo.

A unidade funciona na área de um antigo frigorífico de bovinos, que havia encerrado as atividades há dois anos. O objetivo é exportar a carne e também o couro animal, que será direcionado a indústrias de cosméticos e farmacêuticas.

O projeto engloba desde a aquisição de jumentos de pequenos produtores rurais até a procriação pela empresa, inclusive com melhoramento genético da espécie na Bahia, a partir de animais trazidos da Ásia.

Um dos sócios do frigorífico, o empresário Mairton Souza diz que a meta da empresa é alcançar, sobretudo, o mercado chinês. "Já negociamos com Hong Kong. O objetivo maior é a China, porque, no mundo, é atualmente o maior mercado. Estamos inclusive brigando com a Austrália, que também iniciou o abate de jumentos", destacou, em contato com o G1.
Abate de jumentos foi regulamentado pela Adab, em 2016. (Foto: Divulgação/ONG 7 Vidas)
O sócio do frigorífico ainda diz que, além das pessoas já empregadas, outras 40 devem ser contratadas nos próximos dias. “Para conhecer o mercado, nós iniciamos o abate de forma experimental no frigorífico da Chapada Diamantina, em Miguel Calmon. A partir desse teste, nós destinamos um frigorífico apenas para este tipo de abate”, acrescenta Mairton.

Souza ainda diz que a viabilidade do negócio foi possível após as negociações do governo baiano com o mercado exterior, em 2016. "Isso foi por intermédio do governo. O povo asiático já tem esse costume de consumir a carne. Então, vamos exportar a pele para medicamentos e cosméticos e a carne e vísceras para consumo. Por conta disso, dessa demanda, vamos contratar mais gente, pessoas qualificadas", destaca.


O governador Rui Costa disse, em nota, que pretende retornar ainda este ano ao continente asiático, com o objetivo de confirmar investimentos de grande porte que, segundo o governo, devem gerar mais empregos e desenvolvimento ao estado.

Abate de jumentos

Em 2016, a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), vinculada a Secretaria da Agricultura (Seagri), chegou a regulamentar, de forma temporária e experimental, o abate inspecionado de eqüídeos no estado.

A regulamentação, que durou de julho até outubro, teve como foco o fornecimento de carne para zoológicos e deixou proibido o abate de equídeos para o consumo humano. A medida também teve como objetivo retirar os animais de rodovias para evitar acidentes.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Nordeste possui quase 90% dos jumentos do país.

O primeiro matadouro a iniciar a atividade, sacrificando 300 jumentos, foi um localizado em Miguel Calmon, cidade no centro-norte da Bahia. Em três meses de regulamentação, cerca de dois mil jumentos foram abatidos no estado.

Antes de ir para o matadouro, os animais eram encaminhados a uma propriedade para realização de exames clínico e laboratorial. Só eram abatidos os jumentos que pesassem, no mínimo, 100 quilos, em procedimento praticamente igual ao realizado com bovinos.

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) chegou a recomendar que frigoríficos parassem de realizar abates de jegues, equídeos, mulas, jumentos e outros animais do gênero até que comprovassem, por meio de laudos técnicos, que o manejo dos animais e da planta frigorífica não causariam danos ou maus-tratos.

A regulamentação do abate a jumentos é feita pelo Ministério da Agricultura, que fará o credenciamento de novos frigoríficos que se interessem pelo negócio. (G1)

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