segunda-feira, 3 de julho de 2017

Jussari criará lei para declarar Ceplac patrimônio científico imaterial

Jussari será o primeiro município brasileiro,  em região produtora de cacau nos biomas Mata Atlântica e Amazonas,  a declarar a Ceplac patrimônio científico imaterial,  pelo acervo de trabalhos técnicos, científicos e de pesquisa e de valorização dos saberes etnobotânicos desenvolvidos, ao longo de mais de 60 anos. 

Na tarde de quinta-feira (29), no auditório do Centro de Pesquisas do Cacau (Cepec), na Superintendência da Ceplac na Bahia, o prefeito Antônio Carlos Bandeira Valete, anunciou a medida e assinou mensagem que será enviada à Câmara de Vereadores de Jussari-BA.

Para o presidente do Conselho de Entidades Representativa dos Servidores da Ceplac, José Bezerra da Rocha, o reconhecimento,  é uma manifestação de apoio importante à instituição que passa um dos momentos mais difíceis de sua história, com seu rebaixamento a departamento da Secretaria-Executiva do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. “Há um ano iniciamos uma luta para restabelecer o status da Ceplac.

É luta difícil, muito difícil que exige dedicação e firmeza e, mais do que isso, o engajamento da sociedade que demanda seus serviços”, afirmou.

De acordo com o presidente,  não se pode falar de cacau no país, sem se referir à Ceplac, pois sem as pesquisas científicas que a instituição desenvolve em favor da lavoura,  não teria sido possível elevar o patamar do produtor, que viveu momentos de ouro e agora inicia a retomada após a doença vassoura-de-bruxa que atacou plantações no sul da Bahia. “A Ceplac incentivou a fruticultura, o cultivo de dendê e seringueira, dentre outros. Portanto, há muito que se fazer para que não se perca o acervo do banco de germoplasma, as pesquisas científicas e o capital humano de reconhecida competência internacional”.

O prefeito de Jussari,  destacou que a criação da lei também é reconhecimento ao desenvolvimento do seu município, já que a Ceplac atua para transformar as regiões produtoras de cacau, onde promove a inovação, transferência tecnológica, assistência técnica e extensão rural, fiscalização agropecuária, certificação e a organização territorial e sócio-produtiva.

Segundo Antônio Valete “A preocupação dos cientistas e técnicos também se dá em relação ao homem, a conservação ambiental e a preservação de espécies arbóreas da floresta Amazônica e da Mata Atlântica, como Pau-brasil e Jacarandá da Bahia”.

O superintendente da Ceplac na Bahia, Antônio Costa Zugaib, agradeceu a iniciativa do prefeito, que para ele, chega no momento em que a instituição está sendo reavaliada por comissão do ministério. E citou as audiências públicas em apoio à Ceplac em Ilhéus, Itabuna, Ipiaú e Valença, Assembleia Legislativa da Bahia e Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados, mas acredita que a Associação dos Municípios do Sul, Extremo-Sul e Sudoeste (AMURC) devem liderar as ações pelo soerguimento da Ceplac, abertura de concurso público e sua recuperação orçamentária.

A mesma posição defende o diretor do Centro de Pesquisas e Extensão, Raul René Valle, que destacou os projetos em andamento com ensaios em fazendas na busca de clones resistentes,  e tolerantes às doenças do cacau e de alta produtividade.

“Atualmente estamos com ensaios em estágio avançado. Tudo o que fazemos é para a melhoria da qualidade do fruto do cacaueiro e em benefício do produtor. O chocolate continua abrindo novos mercados há aumento do consumo em nível mundial, e as condições de financiamento da produção também estão melhorando, o que nos garante futuro melhor”.


Também participaram da solenidade a vereadora de Jussari Maria das Graças Costa Santos Viana e o diretor de Indústria e Comércio de Itabuna, Herlon Botelho.

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