quinta-feira, 20 de julho de 2017

Revolta: após médico abandonar consultório e ir embora, irmã de paciente quebra vidraça e móveis de ambulatório em Itabuna

Num acesso de fúria, uma mulher destruiu janelas e móveis de um ambulatório, em Itabuna. O pivô de tanta raiva: revolta. Revolta essa provocada pela indignação de um descaso que assola a saúde pública de todo o país. Em Itabuna, essa realidade não é diferente. Com o hospital São Judas fechado, os pacientes com problemas psiquiátricos penam em busca de um atendimento digno. E os familiares desses doentes sofrem também por não conseguirem uma resposta do poder público.

O palco de tal depredação aconteceu no Ambulatório Psicossocial de Itabuna, na tarde de ontem (19). A irmã de uma paciente, acompanhada nessa unidade, foi encaminhada para o Hospital de Base, na terça-feira (18), onde um médico, após atendê-la e medicá-la, mandou que, novamente, a mulher retornasse para o ambulatório para aquisição de um laudo.

No entanto, ao voltar ao local, o psiquiatra teria se recusado a atender a paciente. Em entrevista ao repórter Wadson Santos, da Rádio Difusora, a irmã da pessoa doente disse que não aguentou tamanha falta de respeito e que já há 20 dias tem vivido essa “peregrinação” entre o Hospital de Base e ambulatório, sem, contudo, conseguir um laudo para perícia no INSS.

“Eu cheguei aqui 11 horas da manhã. Aí ela [recepcionista], falou assim: ‘eu vou tentar um encaixe pra você. Aí fiquei 11, 12, 13... 14h20min o médico chegou. Quando ele chegou, ela já tinha falado com ele. Quando eu botei o pé na sala, ele disse: ‘se você entrar aqui, eu saio’. Eu falei: ‘Dr. só me ouve um pouco, só o que eu tenho pra falar. E foi isso que ele fez. Simplesmente levantou, pegou a bolsa dele, entrou no carro e foi embora”, contou a mulher.
Depois da atitude do médico, a mulher, revoltada, quebrou cadeiras e mesas e ainda a vidraça de uma das janelas do ambulatório. A Polícia Militar chegou a ser acionada, mas ninguém foi preso. “Eu fiquei revoltada. Porque minha irmã passando mal, tremendo, sem ter enfermeiro, nem médico pra dar medicamento a ela. Aí não aguentei e quebrei. Faria tudo de novo, porque é uma revolta muito grande você ver um parente seu passar mal dia e noite sem dormir, pra quando chegar aqui acontecer uma coisa dessas”, desabafou.

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