quarta-feira, 2 de agosto de 2017

“Despejados”: prefeitura quer acelerar retiradas de vendedores da Praça do São Caetano


De um lado, dezenas de trabalhadores, que botam a “cara” na rua, faça sol, faça chuva, para garantirem o pão de cada dia. De outro, uma decisão da Justiça, que os obriga a deixar o seu único local de trabalho. E, no meio desse “confronto”, a Prefeitura de Itabuna, que quer acelerar o processo de retirada desses vendedores ambulantes, reduzindo o prazo judicial de 10 para apenas 72 horas, aumentando, dessa forma, a angústia e a insegurança quanto ao futuro.

Os protagonistas desse triste capítulo de uma “novela” real são as pessoas que têm barraca na Praça do São Caetano. O lugar, tornou-se ao longo dos anos, numa espécie de “empresa informal” de muitos pais de família e jovens ávidos por emprego.
 E lá na praça de um dos bairros mais pujantes, encontramos de tudo: CDs, capas para celular, alimentos diversos e serviços como fotografias e chaveiros. São mais de 40 vendedores, que dividem o espaço, entre uma mercadoria e outra. Um deles trabalha no local há quase 30 anos. Trata-se de dona Nelsonete Santos, que tem uma barraca de lanches. 

Assim como os demais ambulantes, ela está preocupada com o rumo que as coisas podem tomar. “Pago meu alvará, estou de portas abertas para a Vigilância Sanitária. Ai, de repente, você tem que sair e não tem para onde ir”, disse.

Em entrevista ao jornal BA TV, o secretário de Desenvolvimento Urbano de Itabuna, Patrick Monteiro, justificou que também recebeu a ordem judicial e, como a prefeitura tem prazo para cumprir, precisa agir mais rápido, antecipando, assim, as ações de retirada.
“Vamos fazer uma força-tarefa para a remoção [das barracas]. Então, vamos ter que chegar lá, conversar, vê com a Secretaria de Indústria e Comércio se há outro local que eles [comerciantes] possam estar ocupando. Mas, na praça não vão poder mais ficar”, sentenciou Monteiro.

Foi a Vara da Fazenda Pública quem determinou a desocupação da praça, após acatar duas ações: uma ação civil pública do Ministério Público, e a segunda refere-se a uma reintegração de posse da Prefeitura.

Se a decisão judicial e a “pressa” da prefeitura têm tirado o sono dos vendedores, os clientes também estão preocupados e se posicionaram a favor dos ambulantes. “Se eles não têm espaço para botar essas barracas, vão colocar onde? E é muito melhor aqui, fica mais fácil pra gente comprar”, lamentou um morador.

Dona Neolsonete resolveu dar mais um “grito de socorro”, esperando, ao menos, bom senso e um pouco de sensibilidade por parte dos poderes públicos: “Não tem como em 72 horas a gente desocupar o lugar. Primeiro, eles [prefeitura] têm que arranjar o lugar para depois determinar para gente sair”. 

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