quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Detentos comandam tráfico de dentro do presídio em Feira de Santana, diz Justiça

A juíza da 1° Vara de Tóxicos e Acidente de Veículos de Feira de Santana, cidade que fica a cerca de 100 quilômetros de Salvador, ouviu nesta quarta-feira (23) 15 dos 17 detentos suspeitos de comandar o tráfico de drogas de dentro do presídio da cidade. Todos participaram de uma audiência no Fórum Filinto Bastos, também na cidade.

Conforme a Justiça, as ações coordenadas pelos detentos referentes ao tráfico de drogas ocorriam nos bairros Baraúnas e Queimadinha, em Feira de Santana. A Justiça ainda vai ouvir testemunhas de defesa e de acusação, e depois o promotor e o advogado dos presos, para então decidir sobre a sentença dos detentos.

A ação dos presos foi descoberta após uma denúncia anônima de que um grupo de 17 pessoas estava comandando o tráfico de drogas nos bairros da cidade. Ainda na denúncia, foi informado que o líder, apontado como Gilberto da Silva Gonçalves, conhecido como Juninho, dava as ordens de dentro do presídio de Feira de Santana. Gilberto foi transferido para o Presídio de Serrinha, mas ação da quadrilha continuou, de acordo com informações da polícia.

Diante da denúncia, interceptações telefônicas feitas desde novembro de 2013, que fizeram parte das investigações, levaram à polícia a descobrir que a ação tinha o envolvimento dos detentos. Não há maiores detalhes do caso, pois o processo é sigiloso. Todos os envolvidos estavam custodiados no presídio de Feira de Santana, mas ao longo das investigações foram transferidos para o presídio de Serrinha, a cerca de 70 km de Feira de Santana.

"Ele [Gilberto] tinha acesso a aparelhos celulares, com os quais matinha contato constantes com os demais integrantes que se econtravam no ambiente externo. Após a transferência dele para Serrinha, do que eu tenho conhecimento, esse contato a partir do Gilberto parou, embora se saiba que a facção que ele integra continua comandando o tráfico de drogas, principalmente na Baraúnas", contou o promotor do Ministério Público do Estado, André Luiz Mota.

O advogado Augusto Leal, que representa seis dos acusados, inclusive o preso apontado como líder da quadrilha, diz que nada foi comprovado e que os clientes têm bom comportamento dentro do presídio.

"Existem as interceptações, mas nenhum desses números de linha são vinculados a eles, nenhuma linha é vinculada ao CPF dos acusados. Todas as linhas que foram interceptadas são de pessoas diversas que existem nos autos", revelou.

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