quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Famílias do Movimento Sem Terra ocupam fazenda em Itabela

Cerca de 150 famílias do Movimento Sem Terra (MST) ocuparam, no último final de semana, uma área que pertence ao Conjunto de Fazendas São Francisco, na região da Cascalheira, cidade de Itabela, no extremo sul da Bahia. De acordo com os ocupantes, a área está abandonada há 10 anos, após a morte do proprietário. A ocupação continua nesta quarta-feira (23), e segundo os Sem Terra, eles permanecerão lá por tempo indeterminado.

“São 1.320 hectares. É uma área que não cumpre função social. Só tem dois caseiros empregados”, disse o líder do MST na região, Uelton Pires. Ele afirma que um advogado da fazenda se apresentou ao grupo que ocupa o local e tem interesse de negociar sobre a ocupação. Foi marcada uma reunião em 15 dias para discutir o assunto.

Cerca de 40% dos 1.320 hectares do conjunto de fazendas são compostos por área de reserva, uma mata nativa associada ao plantio de cacau, mas os ocupantes garantiram que vão proteger a Mata Atlântica e as nascentes.

Os manifestantes não ocuparam a sede, e permitiram que os dois caseiros continuassem morando no local. Eles disseram que querem usar a área de pastagens para o plantio de hortaliças, frutas e verduras. Os integrantes do movimento querem que o Incra vá até o local cadastrar as famílias e vistoriar a terra para que seja incluída como assentamento.

Procurada pela reportagem, a Superintendência Regional do Incra na Bahia disse que não foi oficialmente comunicada sobre o ocorrido. O órgão afirmou ainda que imóveis rurais ocupados não podem passar por ações do Incra conforme Decreto 2.250/1997, que impede qualquer ato da autarquia no prazo de dois anos a contar da data de sua desocupação.

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