quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Multidão acompanha missa de 7º dia pelas vítimas da tragédia com 19 mortos em Mar Grande


Vestidos de branco, amigos e familiares das vítimas da tragédia que deixou ao menos 19 pessoas mortas, após um barco virar na Baía de Todos-os-Santos, lotaram a matriz da paróquia Sagrado Coração de Jesus, em Mar Grande, no município de Vera Cruz, na noite desta quarta-feira (30), para a missa de 7º dia das vítimas. A igreja ficou tão cheia, que muitas pessoas tiveram que assistir à missa do lado de fora.

Além das 19 mortes confirmadas, uma adolescente de 12, que estava na lancha, segue desaparecida.

A cerimônia religiosa, que começou às 18h30 e foi presidida pelo arcebispo Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger contou ainda com a presença de policiais militares e do prefeito de Vera Cruz. A Missa foi encerrada por volta das 19h50.

Durante a cerimônia, pessoas da comunidade entraram na igreja carregando pão, uva e 19 rosas, lembrando as 19 vítimas. Dom Murilo pegou as rosas e colocou em um vaso, no altar.

"Não foram só os familiares atingidos nessa hora. Temos que dar uma palavra de esperança. A dor é de todos. Temos que tirar a ideia de que Deus quis isso. Deus não quer tristeza, sofrimento, desgraça de ninguém. Ele quer alegria. Ele nos possibilita tirar o bem do mal. Ou como diz Paulo aos Romanos, tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus", disse Dom Murilo.

Antes de começar a missa, integrantes da igreja católica leram os nomes e idades das 19 vítimas. Alguns familiares usaram camisas para homenagear os entes queridos que morreram no acidente.

Entre as pessoas que participaram da cerimônia estavam Lorena Pita e Marta Conceição, duas sobreviventes da tragédia.

Lorena, de 19 anos, é estudante de fisioterapia e estava fazendo a travessia para ir para a faculdade. Ela disse que estava na embarcação com a prima, mas conseguiu sobreviver porque sentou na parte de cima do barco.

"Foi Deus quem me salvou, porque foi horrível sair dali, foi horrível. Ela [Laís] estava embaixo e eu estava em cima. Nos perdemos quando o barco virou. É horrível para dormir, é muito difícil. A gente tenta se confortar", disse.

Inquérito do MP

O inquérito do MP para apurar o acidente foi instaurado na terça-feira pela 5ª Promotoria de Justiça do Consumidor da Capital, segundo informou a assessoria de comunicação do órgão. A instauração do processo foi publicada no Diário da Justiça Eletrônico.

O órgão divulgou que, há dez anos, já havia alertado as autoridades sobre as condições do serviço. Segundo o MP-BA, até 2011 as embarcações funcionavam sem regulamentação e fiscalização. Depois de uma ação do órgão, foi criada a lei estadual 12.044 e o serviço foi regulamentado e a Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) passou a ser responsável pela fiscalização do serviço prestado na travessia Salvador-Mar Grande.

Conforme o Ministério Público, mesmo com a regulamentação, os problemas continuaram. Três anos depois da lei, o MP disse que entrou com uma nova ação. O novo documento alertava que nos barcos que transportam as pessoas, em dias de chuva, ocorria um parcial alagamento, gerando insegurança, desconforto e insatisfação aos usuários. Essa ação de 2014 também incluía a empresa CL Transporte Marítimos, dona da embarcação que virou.


O MP informou ainda que pediu que a Justiça suspenda temporariamente o serviço de transporte marítimo de passageiros entre os municípios de Salvador e Vera Cruz, na Ilha de Itaparica.

Em nota, o Tribunal de Justiça da Bahia (Tj-BA) informou que em despacho proferido pelo juiz Adriano Borges, da 8ª Vara da Fazenda Pública, com relação à ação civil pública de 2014, uma audiência de conciliação entre MP e a empresa CL Transporte Marítimo foi agendada para 10 de outubro deste ano. Com relação ao pedido de suspensão da travessia, o TJ-BA informou que ainda não há decisão proferida.

Além dessa investigação do MP, as causas do acidente devem ser divulgadas em inquérito também aberto pela Capitania dos Portos e pela Polícia Civil, em um prazo de 90 dias, contados desde o acidente, que ocorreu no dia 24 de agosto.

A Câmara de Vereadores de Vera Cruz também abriu uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as responsabilidade sobre o acidente, e discutir melhorias na travessia Salvador-Mar Grande.

A Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (Agerba) disse que faz a devida fiscalização das atividades. Já a CL Transporte Marítimo disse por meio de nota que a lancha estava "com a documentação regular, estando sua vistoria com prazo de validade até 20/04/2021".

A empresa inda ainda disse que "submete-se diariamente às vistorias da Capitania e seus tripulantes são treinados periodicamente, além de ser fiscalizada diariamente pela Agerba".

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