sábado, 7 de outubro de 2017

Dezesseis crianças vítimas de ataque em creche recebem alta em MG


Dezesseis crianças, vítimas do ataque a uma creche em Janaúba, receberam alta na manhã deste sábado (7), dos hospistais de Montes Claros e Janaúba. Segundo a pediatra do hospital Fundajam de Janaúba, Cintia Neres Brandão Freitas, todas as crianças que estavam internadas na unidade receberam alta.

De acordo com as recomendações da médica, os pais devem voltar ao hospital se os filhos apresentarem falta de ar, dificuldade para respirar e alimentar, dor de cabeça, tosse e tontura.

"Elas estão saindo com uma folha com orientações, caso sinta algum sintoma estamos pedindo para retornar ao hospital. As crianças ficaram internadas em observação porque tiveram contato com a fumaça, alguns aparesentaram tosse leve. Todos estão indo bem pra casa", disse.

Na última quinta-feira (5), o vigia Damião Soares dos Santos foi à creche onde trabalhava, jogou álcool no local, ateou fogo nas crianças e nele mesmo. Oito crianças, uma professora e o autor do ataque morreram.

Uma professora permanece internada no Hospital Regional em Janaúba. O hospital informou, na manhã deste sábado, que o estado de saúde é estável. Além dela, outras 27 pessoas estão internadas em Montes Claros e Belo Horizonte. Entre os feridos, nove crianças estão em estado grave.

Na saída do hospital, as mães e as crianças não escondiam a alegria.

"Meu coração está emocionado. Só de saber que meu filho está vivo e eu posso abraçá-lo", comemorou Jéssica Borges de Oliveira, mãe de Heverton de 2 anos.

Elaine Pereira Silva é mãe de gêmeos de 4 anos que tambem sobreviveram à tragédia. "Estamos muito felizes. Deus abençoe, que não aconteça nada com eles".

Kaio Pierre Santos também estava na creche no momento do ataque. Na saída do hospital, o menino, de 2 anos, resumiu em poucas palavras o que iria fazer: "Quero ir pra casa de vó".

Daniele Ferreira, mãe de Hemili Sofia disse estar "pulando de alegria" por levar a pequena para casa depois de dois dias no hospital, por causa da inalação de fumaça. Ela conta, no entanto, que a filha de três anos está assustada, e não quer voltar para a escola.

"Ela contou tudo, que viu um homem pegando fogo, que os coleguinhas estavam pegando fogo, que as tias estavam gritando. Ela perguntou pelo primo, que está em Montes Claros. E aí eu falo que ele está bem”.

Ataque intencional

No momento do ataque havia 75 crianças e 17 funcionários na escola.

A Polícia Civil informou que os combustíveis usados por Soares foram comprados três dias antes do crime, que foi planejado.

Ainda de acordo com a polícia, uma perícia constatou que o homem, de 50 anos, trancou as portas da creche antes de incendiar o local.

O delegado disse ao G1, após entrevistar familiares do vigia, que desde 2014 ele já apresentava "sinais de loucura". "Ele alegava que a mãe dele estava envenenando a água, e que isso estava trazendo problemas", disse Bruno Fernandes Barbosa.

O médico legista da Polícia Civil Deivison Antônio Hamilton informou que o laudo caminha para a perversão, pois houve um planejamento e execução bem organizada.

O Ministério Público instaurou um inquérito para se o vigia era portador de alguma doença ou transtorno mental, que lhe tornava não recomendado para o exercício da função e se houve alguma falha do poder público quanto à avaliação e tratamento.

Segundo a secretária de educação do município, Luzia Angélica, a creche funcionava em uma casa construída há mais de 10 anos. A estrutura era pequena e atendia alunos 1 a 5 anos. Ainda de acordo com ela, a prefeitura tinha um projeto para melhorar a estrutura do local, previsto para ser executado em 2018.

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