terça-feira, 3 de outubro de 2017

Suspeito de matar recepcionista tem características de psicopata, diz delegada

João Paulo disse que foi com vítima a motel, mas negou crime; testemunhas viram desova de corpo
Preso em flagrante pela morte da recepcionista Marília Matércia Andrade Sampaio, 32 anos, o comerciante João Paulo Castro Moreira, 30, negou a autoria do assassinato e disse que conheceu a vítima no dia do crime. Marília, que trabalhava em um edifício comercial na Avenida ACM, morava em Itapuã e foi encontrada morta, com marcas de esganadura, na manhã de sábado (30), na estrada do CIA-Aeroporto (BA-526), na Região Metropolitana de Salvador. "Um homem muito frio, com características de um psicopata", disse ao CORREIO a responsável pela investigação, delegada Simone Moutinho.

Preso no lava a jato do qual era dono, no bairro de Mussurunga, cerca de 12 horas após o crime, João Paulo disse em depoimento que ofereceu carona à vítima e, juntos, seguiram para um motel. No local, funcionários relataram uma situação de violência envolvendo o comerciante. Além disso, testemunhas presenciaram a desova de um corpo, na CIA-Aeroporto, feita pelo ocupante de um veículo de características semelhantes ao usado pelo comerciante, e denunciaram à polícia.

"A história que ele conta é uma história absurda. Foi um crime que deixou muitos indícios, por isso chegamos rápido à autoria", pontuou Simone Moutinho.

Corpo de recepcionista foi encontrado no mesmo local onde outra vítima foi achada, em julho
A Polícia Civil também investiga se João Paulo, que é casado e pai de duas crianças, de 2 e 3 anos, é o responsável pelas mortes da comerciante Nadjane Santos de Jesus, 30, e de uma mulher, ainda não identificada, que também foi encontrada esganada, na manhã de sexta (29), no Bairro da Paz, em Salvador.

Além da proximidade dos locais cujos corpos foram encontrados, as três foram mortas por esganadura, sendo que Nadjane foi encontrada sem as roupas e com sinais de violência sexual na CIA-Aeroporto, em julho. Não há informação sobre as condições em que a terceira vítima foi encontrada.


"A gente ainda não pode concluir essas informações. Existem várias coisas que precisamos ter para bater o martelo sobre isso. A polícia não pode fazer ouvidos moucos para estas 'coincidências', mas também não pode afirmar categoricamente sem as provas periciais", explica Simone Moutinho.

Embora a Secretaria da Segurança Pública (SSP) tenha indicado preliminarmente que Marília tinha indícios de violência sexual, a delegada afirmou, nesta segunda-feira (2), durante apresentação do preso à imprensa, que a vítima estava fardada.

"O cadáver estava de calcinha, sutiã e farda. Estava completamente vestida, portanto, não há nada que nos leve a afirmar que houve violência (sexual). Apenas os exames podem atestar isso", comentou a delegada.

Motel
Segundo o suspeito, ele conheceu a vítima em um ponto de ônibus em frente ao supermercado Bompreço, na Avenida Dorival Caymmi, em Itapuã. Ele afirmou que era por volta de 5h quando Marília entrou no carro que ele dirigia, uma Hilux Sw4, segundo a SSP, pertencente a um cliente do seu lava a jato.

A versão, porém, não convenceu a polícia. "É uma história cheia de contradições. A família afirma que a moça saiu de casa às 6h30, para ir ao ponto de ônibus, de onde seguiria para o trabalho", pontuou a delegada. 

A partir de depoimentos de funcionários do Ricks Motel, na Avenida Dorival Caymmi, próximo de onde a vítima morava, a Polícia Civil confirmou que o suspeito esteve no local nas noites de quinta (28) e sexta-feira (29).

"Ele foi interrogado no sábado à noite. Confessou que estava no motel com ela, mas disse que deixou a vítima em casa. Ao mesmo tempo que chegou a informação de um corpo encontrado no CIA, concomitantemente chegou a informação de que havia uma situação de violência em um quarto de motel, relacionado a um cliente assíduo", contou a delegada.

João Paulo, segundo mostraram as investigações, frequentava o motel e era conhecido dos funcionários. "Existem locais mais fáceis e mais difíceis para se apurar um crime. Neste caso, além de termos refeito o percurso nas imediações, tivemos a identificação da placa do carro. Isso nos levou ao dono do carro que, por sua vez, nos levou a João, que é dono de um lava a jato", explicou a investigadora.

Ainda segundo a delegada, a denúncia recebida pela polícia "era a de que uma Hilux teria descartado um corpo feminino no CIA". "Existia uma cena de crime no motel. Um lençol cheio de sangue e, ainda, testemunhos de que quem estava naquele apartamento tinha saído naquele veículo. Além de tudo isso, no dia anterior a este crime, ele teria estado no motel com outra moça, e havia ocorrido uma situação de violência", completou Simone Moutinho, afirmando que a Polícia Militar chegou a ser chamada, mas não encontrou o suspeito.

As câmeras de segurança do motel não estavam ligadas, mas a polícia pretende verificar imagens de estabelecimentos da região.

Nenhum comentário:

Postar um comentário