terça-feira, 18 de outubro de 2022

Primeiro debate do 2º turno entre Lula e Bolsonaro foca em pandemia e corrupção

O primeiro debate entre os candidatos à presidência da República que estão no segundo turno aconteceu na noite de domingo (16) em um pool de mídia composto pela Rede Bandeirantes, TV Cultura, UOL e Jornal Folha de S. Paulo.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) debateram num formato diferente, em que os dois ficavam juntos em pé no palco, com liberdade para se locomover próximos à câmera, por exemplo, e debatiam assuntos propostos por eles mesmos.

Cada candidato possuía 15 minutos cronometrados no total, que eram pausados ou continuados assim que cada um parava ou retornava a fala. O formato permitiu troca de acusações, mas também debate de ideias. Houve educação dos candidatos, na medida do possível, e também momentos de vergonha alheia, em que ambos ficaram em silêncio sem saber muito o que falar para outro. O debate também contou com perguntas feitas por jornalistas convidados pelo pool de mídia.

O primeiro embate entre Lula e Bolsonaro foi em torno da condução da pandemia pelo governo federal. O petista acusou o candidato à reeleição de atraso na compra de vacinas e citou a CPI, enquanto o chefe do Executivo defendeu sua gestão e voltou a falar em tratamento precoce, comprovadamente ineficaz para o novo coronavírus. “Vergonha é você carregar morte de 400 mil pessoas que poderiam ter sido evitadas se tivesse comprado vacina no tempo correto. A ciência fala isso todo dia. O senhor recebeu proposta de vacina muito cedo e não quis comprar porque não acreditava”, declarou Lula no debate. “O senhor não se dignou a visitar uma família que morreu de covid”, acrescentou.


Caso dos respiradores

Bolsonaro respondeu que se preocupou com cada morte no Brasil. “Todas as vacinas foram compradas pelo governo federal. Nos orgulhamos desse trabalho e salvamos vidas”, declarou o candidato à reeleição. “Quando chegou na CPI a notícia de 50 milhões de reais desviados do Sr. Carlos Gabas, ex-Ministro de Dilma Rousseff, que passeava de bicicleta com ela, a CPI, dos seus amigos Renan Calheiros e Omar Aziz, não quis investigar. 50 milhões torrados em uma casa de maconha, não chegou nenhum respirador, e daí, sim, irmãos nordestinos morreram por falta de ar, por corrupção do Sr. Carlos Gabas, deixar bem claro, e, em especial, o seu governador da Bahia, Rui Costa”, afirmou Bolsonaro.

Lula lembrou o episódio em que o adversário imitou pacientes com covid morrendo de falta de ar. “O senhor debochou, riu”, afirmou o petista, que também lembrou a vacinação contra o HIN1 em seu governo. Ao reagir, o chefe do Executivo afirmou que foi contra o “protocolo Mandetta”. “A questão do tratamento precoce, tendo ou não comprovação científica, tirou-se a autonomia do médico. A história mostrará quem está com a razão”, defendeu Bolsonaro.


Tráfico e milícia

Depois, os candidatos trocaram acusações sobre envolvimentos com o tráfico de drogas e a milícia. O embate começou após Bolsonaro questionar o petista sobre a não transferência de Marcola, chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC), para um presídio de segurança máxima.

O ex-presidente respondeu dizendo que o adversário é “amigo dos milicianos”. “Os bandidos você sabe onde tá. Tinha um vizinho seu que tinha 100 armas em casa. Acha que os grandes bandidos estão na favela. Os grandes bandidos estão em lugar dos ricos. Os pobres são trabalhadores”, disse Lula, ao lembrar da ligação entre a família de Bolsonaro e Adriano da Nóbrega, chefe da milícia Escritório do Crime, morto em uma ação policial na Bahia em fevereiro de 2020.

Em resposta à jornalista Vera Magalhães, os candidatos falaram sobre a indicação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e prometeram não aumentar os números de juízes da corte. No terceiro bloco, o formato de debate direto entre Lula e Bolsonaro foi retomado. O candidato do PL iniciou falando sobre o chamado Petrolão, esquema de corrupção apontado pela Operação Lava Jato na Petrobrás, Lula se defendeu citando a descoberta do pré-sal, e enalteceu os feitos do seu governo com a estatal. “E se houve corrupção na Petrobras, olha, apreendeu-se o ladrão que roubou, acabou. E prendeu porque houve investigação. Porque, no nosso governo, nada era escondido. A gente não tinha sigilo do filho, da filha, do cartão de crédito, das casas, nada”, disse, se referindo aos sigilos de 100 anos decretados por Bolsonaro.

No final, intencionalmente ou não, o tempo de Lula acabou e Bolsonaro pôde falar sozinho durante mais de cinco minutos. O petista ainda teve um direito de resposta e depois ambos os candidatos fizeram as considerações finais.

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