Uma decisão publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (2) causou indignação e levantou questionamentos sobre os procedimentos administrativos dentro da Polícia Militar de São Paulo. O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, preso preventivamente sob a acusação de assassinar a própria esposa, a policial militar Gisele Santana, foi aposentado pela corporação e passará a receber salário integral.
Disparidade salarial e benefícios
De acordo com dados consultados no Portal da Transparência, a aposentadoria do oficial garante vencimentos elevados. Em fevereiro de 2026, o tenente-coronel recebeu R$ 28.946,81 de salário bruto, acrescidos de R$ 2.995,43 de abono. O valor contrasta drasticamente com a remuneração que a vítima recebia em vida: R$ 7.222,33 mensais, o que representa cerca de quatro vezes menos que o montante destinado ao acusado.
A publicação da aposentadoria ocorreu na mesma semana em que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou a abertura de um processo administrativo para avaliar a possível expulsão do oficial da corporação.
O crime e as investigações
O caso ocorreu no dia 18 de março, no apartamento do casal, localizado no bairro do Brás, na capital paulista. Gisele Santana foi atingida por um disparo na cabeça. Inicialmente, o episódio foi registrado como suicídio, tese sustentada pelo tenente-coronel desde o primeiro momento.
No entanto, o rumo das investigações mudou após laudos periciais descartarem a possibilidade de autoextermínio, apontando inconsistências nas versões apresentadas pelo marido. Diante dos novos elementos, a Justiça decretou a prisão do oficial, que foi detido em São José dos Campos e transferido para o Presídio Militar Romão Gomes, onde permanece à disposição da Justiça.
A defesa do acusado continua negando o crime e mantém a versão de que a vítima teria tirado a própria vida. O Ministério Público e a Polícia Civil seguem trabalhando para que o caso seja levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, sob a acusação de feminicídio. A concessão da aposentadoria integral ao oficial preso por crime hediondo gerou críticas de movimentos sociais e da opinião pública sobre a celeridade dos benefícios administrativos frente à gravidade da acusação criminal.








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