Praia do Forte, Bahia – Um dos capítulos mais longos e marcantes da crônica policial brasileira teve um desfecho inesperado no litoral baiano. O empresário Sérgio Nahas, de 61 anos, foi preso no último sábado (17) em um condomínio de alto padrão na Praia do Forte, município de Mata de São João. Ele é o autor do assassinato de sua esposa, Fernanda Orfali, crime ocorrido há 23 anos, em São Paulo.
A prisão foi possível graças à tecnologia do sistema de reconhecimento facial da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, que identificou o condenado enquanto ele circulava pela região turística.
O Crime: Falso Suicídio em Higienópolis
O caso remonta ao ano de 2002, no sofisticado bairro de Higienópolis, em São Paulo. Fernanda Orfali, que tinha apenas 28 anos na época, foi morta com um tiro disparado pela arma do próprio marido dentro do apartamento do casal.
Durante anos, Sérgio Nahas sustentou a versão de que a esposa teria cometido suicídio. No entanto, as investigações e perícias técnicas descartaram a hipótese e comprovaram se tratar de um homicídio doloso. Após uma longa batalha jurídica repleta de recursos que chegaram ao STJ e ao STF, o empresário foi condenado definitivamente.
A Prisão e os Detalhes da Abordagem
Contra Nahas havia um mandado de prisão definitiva expedido pela Justiça de São Paulo. Ele havia sido condenado a uma pena de 8 anos e 2 meses em regime fechado. No momento da abordagem realizada pela Polícia Militar da Bahia, além de celulares e um veículo, os agentes apreenderam pinos de cocaína em posse do empresário.
A defesa de Nahas alegou que ele não estava foragido e que enfrenta problemas graves de saúde. Contudo, por se tratar de uma decisão transitada em julgado (quando não cabem mais recursos), ele deverá ser transferido em breve para o sistema prisional paulista para iniciar o cumprimento da pena.
Família Clama por Justiça
Apesar de mais de duas décadas terem se passado, familiares de Fernanda Orfali receberam a notícia da prisão como uma vitória tardia, mas necessária. Em declarações, parentes destacaram que a prisão representa a responsabilização por um crime que destruiu a família e que agora, finalmente, o ciclo de impunidade se encerra.







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