O desaparecimento dos jovens João Vítor Gomes dos Santos, de 17 anos, e Fabrício Lima da Silva, de 18 anos, completou seis meses, deixando suas famílias em um cenário de profunda angústia, dor e revolta no município de Teixeira de Freitas, no extremo sul da Bahia. Os dois rapazes sumiram na noite do dia 9 de novembro do ano passado. Recentemente, uma ação integrada envolvendo a Secretaria de Segurança Pública, o Ministério Público e a Polícia Militar resultou na prisão preventiva de quatro policiais militares suspeitos de envolvimento direto no caso. Os PMs, identificados como Adriano Conceição da Silva, Antônio Guilherme de Santana Oliveira, Ronaldo Santos da Silva e Carlos Renner de Souza, encontram-se custodiados no Batalhão de Choque em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador. Durante a operação que prendeu os agentes, foram apreendidos celulares, notebooks, munições e seis armas de fogo.
As investigações apontam que João Vítor e Fabrício estavam a bordo de uma motocicleta alugada quando foram abordados pelos policiais por volta das 10h26 da noite. Imagens de câmeras de segurança e depoimentos indicam que os jovens foram colocados no compartimento traseiro de uma viatura da Polícia Militar, sendo essa a última vez em que foram vistos com vida. O sistema de geolocalização instalado na motocicleta revelou que o veículo foi conduzido e escondido em um galpão abandonado, localizado nas proximidades da Avenida São Paulo. Os dados indicam que a moto permaneceu no imóvel até por volta de 1h da madrugada, período em que circuitos de monitoramento registraram a presença das viaturas dos PMs investigados no mesmo local. O motivo da abordagem e o que aconteceu no interior do galpão ainda não foram esclarecidos.
No bairro Cidade de Deus, onde moravam as vítimas, o clima é de consternação. A empregada doméstica Leandra Gomes, mãe de João Vítor, e a aposentada Cleusa da Silva, mãe de Fabrício, relatam o sofrimento diário com a falta de notícias. Ambas descrevem os filhos como jovens humildes, educados e sem qualquer histórico de passagem pela polícia. Em depoimentos marcados pela emoção, as mães relatam que perderam o apetite e o sono, enfrentando o vazio deixado nos quartos e as roupas que permanecem guardadas. Vizinhos também manifestaram solidariedade e saudade dos rapazes, reforçando o perfil pacífico de ambos na comunidade.
Diante da ausência de respostas sobre o paradeiro e com a possibilidade crescente de que os jovens tenham sido assassinados, o clamor das famílias concentra-se no direito de realizar um sepultamento. As mães apelam às autoridades e aos envolvidos para que, caso os filhos estejam mortos, os corpos ou restos mortais sejam entregues para que recebam um enterro digno. A Corregedoria da Polícia Militar e as defesas dos policiais investigados foram procuradas para se manifestar sobre o andamento e os desdobramentos do inquérito, mas não emitiram retornos até o momento. O caso segue sob investigação do Ministério Público e das forças de segurança da Bahia.






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