quarta-feira, 10 de junho de 2026

Flávio José cancela todos os shows na Bahia e deixa estado fora da agenda de São João após polêmica sobre cachê

O cantor e sanfoneiro paraibano Flávio José tomou uma decisão drástica para o período junino e deixou o estado da Bahia completamente de fora da sua programação de apresentações. Ao divulgar oficialmente o cronograma para o mês de junho, o veterano do forró confirmou a realização de apenas 17 shows, todos agendados para municípios de outros estados do Nordeste. O anúncio oficializou o cancelamento de sua participação em cerca de 15 cidades baianas onde o artista já vinha sendo anunciado ou planejava se apresentar, a exemplo dos municípios de Senhor do Bonfim e Dias D’Ávila.

A retração do artista foi motivada pelo descontentamento com uma recomendação técnica emitida pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA), que solicitou a redução do valor do cachê cobrado pelo forrozeiro. Para as festividades, Flávio José havia estipulado um preço de R$ 350 mil por apresentação, montante que representava um acréscimo de R$ 100 mil em relação ao cobrado no ano anterior. O cantor manifestou publicamente sua indignação com a medida de controle financeiro, classificando o corte como um desrespeito sem tamanho com a sua trajetória, especialmente pelo fato de a intervenção ocorrer às vésperas da maior festa cultural nordestina, enquanto atrações de gêneros musicais alheios ao forró tradicional continuam a receber investimentos milionários do erário municipal e estadual.

Em contraponto à queixa do músico, a promotora de Justiça Rita Tourinho revelou que os órgãos de controle tentaram construir canais de diálogo e estabelecer uma conversação com os representantes legais do cantor. Segundo a integrante do MP-BA, sugestões levadas à mesa pela própria equipe do artista foram aceitas pelo órgão de controle, mas o próprio Flávio José se mostrou irredutível a qualquer tipo de acordo de redução ou mediação, optando por cancelar as apresentações de forma unilateral. A promotora enfatizou ainda que o processo de revisão de valores contratuais seguiu critérios técnicos rigorosos e foi aplicado a diversos outros artistas que se apresentarão no período junino, não se tratando de uma perseguição ou ação exclusiva contra o forrozeiro paraibano, que no ano passado havia realizado 13 shows em solo baiano.

O impasse reacendeu o debate sobre a valorização das atrações tradicionais na Bahia. Levantamentos apontam que artistas de outros gêneros que não integram as raízes do forró de estilo pé-de-serra faturam valores significativamente superiores aos cobrados pelas lendas do ritmo. A dupla sertaneja Zé Neto e Cristiano, por exemplo, fechou contratos que somam R$ 2.715.000,00 por apenas três exibições no estado, fixando um cachê individual de R$ 905 mil por show, valor que é quase três vezes maior do que a quantia requisitada por Flávio José. O Ministério Público estadual justificou que as recomendações de readequação de preços consideram as médias pagas em anos anteriores corrigidas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), além de parâmetros técnicos firmados junto aos Tribunais de Contas do Estado e dos Municípios (TCE e TCM) que levam em consideração a notoriedade, relevância mercadológica atual e a projeção nacional das atrações no mercado da música para justificar pagamentos acima do teto médio regulamentado.

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