Uma ampla investigação jornalística realizada pela TV Bahia trouxe à tona a existência de um suposto e complexo esquema de superfaturamento em cachês de artistas contratados com o uso de recursos públicos no estado. De acordo com as revelações trazidas pela reportagem, as pesadas irregularidades teriam sido praticadas ao longo de quase uma década, compreendendo o período entre os anos de 2015 e 2024. O mecanismo sob suspeita envolvia a participação direta de produtoras de eventos, pessoas físicas que eram apontadas para atuar como “laranjas” e gestores públicos vinculados diretamente à área de fomento ao turismo do Estado da Bahia.
O trabalho de apuração foi minucioso e consistiu na análise aprofundada de centenas de notas fiscais, além do cruzamento de dados contidos em relatórios emitidos pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-BA) cobrindo mais de dez anos. Entre os nomes de maior relevância citados no levantamento está o de Diogo Medrado, ex-diretor da Superintendência de Fomento ao Turismo da Bahia (Sufotur), autarquia que é vinculada à Secretaria de Turismo da Bahia (Setur). Procurado para se manifestar sobre o caso, o ex-gestor negou de forma veemente a existência de qualquer tipo de conduta irregular ou ilícita nas contratações que foram homologadas durante o período em que esteve à frente da chefia do órgão estadual.
Os dados financeiros levantados na auditoria jornalística apontam que o orçamento gerido pela Sufotur passou por um crescimento considerado expressivo e fora da curva nos últimos anos. Em 2019, o teto orçamentário da superintendência era de R$ 79 milhões, saltando para impressionantes R$ 623 milhões no ano de 2024, o que representa uma expansão orçamentária de quase 700% no intervalo analisado. O volume de recursos movimentados ganha contornos ainda maiores quando somados os desembolsos totais da autarquia até o ano de 2026, cujo montante acumulado já atinge a marca histórica de R$ 1,84 bilhão.
O foco da apuração detalha que, somente entre os anos de 2023 e 2025, foram mapeados 641 pagamentos efetuados pelo erário a um grupo restrito de quatro produtoras de eventos, movimentando uma soma aproximada de R$ 58 milhões. As empresas que figuram no centro das investigações são a Brilho Estrelar Produções Artísticas Ltda, Estrelar Produções e Serviços Eireli, Tamy Produções Artísticas e Serviços Ltda e Nível Dez Produções Artísticas e Serviços Ltda. Segundo a reportagem, o quarteto corporativo apresenta características altamente suspeitas, incluindo o compartilhamento do mesmo endereço comercial para registros de firmas distintas, a utilização de um único e-mail de contato institucional e ramificações de vínculos familiares entre os supostos sócios responsáveis. Além disso, vistorias de campo revelaram que alguns dos endereços comerciais informados nos cadastros oficiais não correspondem a sedes operacionais reais que fossem minimamente compatíveis com o estrondoso volume financeiro movimentado por elas.
Um dos desdobramentos mais impactantes da denúncia ocorreu no momento em que Alexsandro Sampaio, formalmente apontado como o responsável legal pela empresa Nível Dez Produções, acabou admitindo o funcionamento do esquema fraudulento sem ter conhecimento de que estava sendo gravado de forma oculta pela equipe de reportagem. A apuração revelou o contraste da realidade dos envolvidos, descobrindo que Alexsandro trabalha ordinariamente na função de office boy, enquanto sua esposa, que consta formalmente como a proprietária da Estrelar Produções, exerce a profissão de secretária. O casal de supostos empresários do ramo do entretenimento reside de maneira modesta no bairro de Fazenda Grande, localizado na capital baiana, Salvador. O robusto acervo de informações e provas preliminares divulgado pela emissora de televisão deve agora ser utilizado como base técnica para a abertura e o aprofundamento de procedimentos oficiais por parte dos órgãos públicos de controle externo e fiscalização, que ficarão responsáveis por apurar as devidas responsabilidades civis, administrativas e criminais de todos os envolvidos no caso.



Tenha por base Itapedro aqui em Itabuna. Atençao Ministerio pulblico
ResponderExcluirQuanta ingenuidade dos anjinhos que fazem a "fiscalização" das contas envolvendo os desperdícios do dinheiro do asnos ignorantes e estúpidos. A propósito, quem são os tais fiscalizadores dos "tribunais de conta"? Todos oriundos da mesma latrina: Organizações Criminosas Partidárias ou parentes dos membros das tais facções. Alguma novidade?
ResponderExcluirObservação: Os salários desses "fiscalizadores" ultrapassam os 45.000,00 (quarenta e cinco mil reais). Porisso que estranhos ao meio não conseguem adentrar nesse privadíssimo clube de parasitas privilegiados.
Vem investigar os shows em Itabuna.
ResponderExcluirSerá que a ALTO DA SERRA vai ser investigada também? Porque o que ela faz é na cara dura. Esse esquema dela com a SUFOTUR é antigo.
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