O corpo da empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, foi sepultado sob forte comoção e clima de revolta no município de Ituberá, no Baixo Sul baiano. A jovem faleceu na noite de terça-feira após se submeter a múltiplos procedimentos estéticos em um hospital particular de Ilhéus. O cortejo até o cemitério local reuniu dezenas de familiares e amigos, que percorreram as ruas da cidade com cartazes cobrando justiça e a apuração rigorosa das responsabilidades pelo óbito. Adriele, que trabalhava como contadora e morava há cinco anos nos Estados Unidos, estava na Bahia a passeio desde junho e pretendia retornar ao exterior em outubro.
A liberação do corpo ocorreu após intervenção da Polícia Civil e do Departamento de Polícia Técnica (DPT) de Ilhéus, acionados pela família para a realização do exame necroscópico diante de incertezas na documentação apresentada de início pelo hospital. A tia da vítima, que acompanhava a empresária durante a internação, relatou que Adriele deu entrada na unidade por volta das 10h de terça-feira. A estimativa repassada pela equipe médica apontava a conclusão dos procedimentos por volta das 19h, porém as horas se passaram sem repasse de informações até que, por volta da meia-noite, a acompanhante foi informada sobre o falecimento.
A notícia mobilizou outros familiares ao local, culminando em um momento de desespero. O tio de Adriele acabou preso em flagrante após romper uma porta de vidro e danificar aparelhos na tentativa de acessar as dependências do centro cirúrgico para ver a sobrinha, que foi encontrada pela família já sem vida em uma sala trancada. O advogado da família questionou a postura da unidade de saúde, criticando a falta de acesso prévio a prontuários ou boletins médicos detalhados, disponibilizando apenas uma guia inicial para sepultamento sem parecer conclusivo.
A cirurgia foi conduzida pelo médico Rossini Tebaldi Ruback, profissional que já respondeu a apurações do Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb) e a boletins de ocorrência por complicações cirúrgicas relatadas por ex-pacientes em 2023. A Polícia Civil abriu inquérito e solicitou o prontuário completo do atendimento ao hospital. O laudo pericial oficial do DPT, que deve apontar a causa exata da morte de Adriele, tem prazo estimado de até 30 dias para ser concluído.




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