Em declaração que acendeu o sinal de alerta sobre o equilíbrio financeiro do país, o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, afirmou que o Brasil corre o risco de não ter recursos suficientes para garantir o pagamento de aposentadorias no futuro. A manifestação foi feita em suas redes sociais e apontou como principais fatores de vulnerabilidade o avanço do déficit previdenciário e o crescimento das despesas executadas fora do Orçamento Geral da União.
Ao detalhar o cenário macroeconômico, o integrante da Corte de Contas destacou que o rombo na Previdência Social já ultrapassa a marca de R$ 404 bilhões. Ele acrescentou que as chamadas despesas fora do orçamento somam cerca de R$ 326 bilhões, situação que, na sua avaliação, compromete a sustentabilidade da economia brasileira e afasta potenciais investidores estrangeiros do mercado nacional. Nardes argumentou que o quadro atual coloca em xeque a capacidade do Estado de manter os compromissos com os atuais e futuros beneficiários do sistema.
Conhecido por ter sido o relator do processo de análise das "pedaladas fiscais" do governo Dilma Rousseff em 2015, o ministro estabeleceu uma comparação entre o momento presente e as manobras contábeis investigadas no passado. Segundo o magistrado, o país voltou a registrar episódios de manipulação nas contas públicas e uso inadequado de recursos sem o devido respaldo legislativo, o que estaria fragilizando a disciplina fiscal.
Durante o pronunciamento, o ministro também confirmou a intenção de antecipar sua aposentadoria do tribunal para o fim de 2026. A trajetória de Nardes no TCU acumula episódios marcantes, incluindo a controvérsia gerada no final de 2022 após o vazamento de um áudio no qual comentava articulações em setores militares no cenário pós-eleitoral do país.






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