terça-feira, 13 de outubro de 2026

Morre Netinho, ícone do axé music, aos 60 anos, em Salvador

Cantor baiano marcou gerações com sucessos como “Mila” e “Beijo na Boca”. Artista enfrentava um câncer do sistema linfático, diagnosticado em março de 2025. A música baiana está de luto. O cantor Netinho, um dos nomes mais conhecidos do axé music, morreu nesta terça-feira (13), aos 60 anos, em Salvador. O artista enfrentava um câncer do sistema linfático há mais de um ano, desde que tornou público o diagnóstico, em março de 2025.

Dono de uma trajetória marcada por grandes sucessos e apresentações que conquistaram o público dentro e fora do Brasil, Netinho ajudou a levar a energia do axé music para diferentes partes do país. Entre as canções mais lembradas de sua carreira estão “Beijo na Boca”, “Fim de Semana” e “Mila”, considerada um dos grandes clássicos do gênero. A doença foi descoberta após o cantor ser internado no Hospital Aliança Star, na capital baiana, em decorrência de fortes dores nas pernas. Desde então, ele compartilhou com os fãs, por meio das redes sociais, etapas do tratamento e momentos de sua luta contra o câncer.

Nascido em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo baiano, em 12 de julho de 1966, Netinho se mudou ainda criança com a família para Salvador. Foi na capital que desenvolveu sua relação com a música e começou a construir o caminho que o transformaria em um dos artistas populares mais conhecidos da Bahia. O interesse musical surgiu cedo. Aos 14 anos, ganhou o primeiro violão, presente da mãe. Dois anos depois, ingressou no curso de Engenharia Civil da Universidade Católica do Salvador (UCSal), enquanto conciliava os estudos com apresentações musicais. Inicialmente, cantava em escolas e, posteriormente, passou a se apresentar profissionalmente em bares, com repertório que incluía Música Popular Brasileira e bossa nova.

A projeção nacional começou em 1988, quando assumiu os vocais da Banda Beijo durante o Carnaval de Salvador. No mesmo ano, a música “Beijo na Boca” ganhou destaque e abriu caminho para uma sequência de sucessos, entre eles “Estrela Primeira”, “Barracos” e “A Vida é Festa”. Em 1993, Netinho iniciou a carreira solo. Três anos depois, lançou “Mila”, canção que se tornou um marco de sua trajetória e atravessou gerações, consolidando seu nome entre os principais representantes do axé music. O reconhecimento ultrapassou as fronteiras brasileiras, com apresentações em países como Itália e Chile.

Além dos palcos, o cantor também investiu no setor musical. No Rio de Janeiro, criou um estúdio de gravação e mixagem que recebeu artistas de destaque, como Maria Bethânia, Milton Nascimento, Gilberto Gil, Laura Pausini e Lenny Kravitz. Ele também desenvolveu um selo voltado ao lançamento de novos talentos da música baiana. Na vida pessoal, Netinho foi casado com a jornalista Mariana Trindade entre 1997 e 2003. Dessa união nasceu sua filha, Bruna Trindade.

Com uma carreira construída entre o Carnaval, os grandes palcos e canções que se tornaram parte da memória afetiva de milhares de brasileiros, Netinho deixa um legado importante para a música da Bahia. Sua voz e seus sucessos permanecem ligados à história do axé music e à identidade cultural do estado.

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