A crise política desencadeada no município de Jequié culminou na saída da primeira-dama Mariana Vaz Lemos de Freitas Oliva do comando da Secretaria Municipal de Saúde. O desligamento foi oficializado nesta terça-feira pelo prefeito Flávio Gondim Oliva Santana, o Flavinho, por meio do Decreto nº 28.050. A exoneração ocorreu a pedido da própria gestora e passa a ter validade formal a partir do dia 1º de novembro, embora o ato normativo não mencione expressamente o episódio das redes sociais como a motivação oficial para o fim do vínculo comissionado de símbolo CC-1.
O desgaste institucional teve início logo após a apuração do segundo turno das eleições presidenciais, no domingo. Na ocasião, a então secretária compartilhou em seus perfis pessoais um conteúdo que associava os eleitores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva à aversão ao trabalho e ao consumo de substâncias ilícitas. As declarações geraram uma onda imediata de indignação popular, culminando em um ato público com panelaço promovido por moradores em frente à sede do Poder Executivo municipal na noite de segunda-feira.
O impacto da publicação ultrapassou os protestos de rua e mobilizou entidades de representação civil e de classe. O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Jequié emitiu posicionamento oficial condenando a estigmatização da classe trabalhadora e cobrando respeito à pluralidade ideológica. Da mesma forma, a subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil divulgou nota de repúdio na qual destacou a incompatibilidade da postura com o decoro esperado de ocupantes de funções públicas, enfatizando que a liberdade de manifestação não autoriza condutas discriminatórias contra cidadãos por suas escolhas democráticas.
Na tentativa de conter os desdobramentos negativos, Mariana divulgou uma retratação pública antes da formalização do decreto de saída. No texto, a primeira-dama reconheceu o equívoco, pediu desculpas à população e argumentou que não tinha a intenção de constranger ou direcionar ofensas aos moradores do município. Apesar do pedido de desculpas e da busca por pacificação, a repercussão continuou a pressionar a gestão municipal. Até o momento, a prefeitura não anunciou o nome do profissional que assumirá a titularidade da massa da Saúde municipal.







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