quarta-feira, 21 de setembro de 2022

Professor assassinado em Ibicuí marcou encontro com o assassino pelas redes sociais; suspeito é de Itabuna e foi preso ontem no Gegéu Rocha

O cenário era macabro. Sob uma cama, um corpo inerte com as mãos amarradas e marcas de violência, inclusive sinais de enforcamento. O que seria um encontro íntimo se transformou em tragédia. 

Essa descrição, típica de um filme de terror, só que bem real, aconteceu entre a noite de segunda-feira (19) e a madrugada de terça-feira (20), no pequeno município de Ibicuí, onde a população ainda está em choque. 

A vítima, o professor de Português, Isaac Jesus Souza, de 44 anos, havia marcado um encontro com o criminoso por meio das redes sociais. Isaac e o assassino ainda jantaram em uma pizzaria, antes de seguirem para a casa do educador. Essa foi a última vez que o homem foi visto com vida na cidade.


O sumiço

De acordo com informações da polícia de Ibicuí e também de alguns amigos e familiares, Isaac não costumava faltar em nenhuma das escolas onde lecionava - uma da rede pública municipal e outra particular. Mas ontem ele não apareceu para trabalhar. 

Uma diretora entrou em contato com o educador, também com os familiares e ninguém sabia sobre seu paradeiro. Colegas e familiares tentaram ligar para Isaac, mas ele não atendia. Mandaram mensagens e nada. A última visualização das mensagens no Whatsapp foi por volta de 1 hora da madrugada de ontem.

Com o sumiço e falta de notícia do professor, alguns parentes foram até a casa da mãe dele e pegaram a chave reserva da residência de Isaac. Por volta das 21 de ontem (20), quando entraram no imóvel, descobriram o corpo do educador. 

O criminoso, por sua vez, havia fugido levando o carro, uma TV e a carteira da vítima com documentos, cartões e dinheiro. 


Crime desvendado

A partir daí, a polícia foi comunicada e as investigações deram início. E em menos de 12 horas, o crime foi desvendado, com a participação da Polícia Civil de Itabuna, onde mora, inclusive, o principal suspeito que, aliás, confessou o bárbaro assassinato. 

Fábio Souza Santos Júnior

Trata-se de Fábio Souza Santos Júnior. Ele está entre os detidos em uma operação da Polícia Civil, realizada no final da tarde de ontem (20), no Loteamento Gegéu Rocha, no bairro Fonseca. 

O suspeito, que é morador do bairro Parque Verde, preso, inicialmente, em flagrante, pelo crime de tráfico de drogas, foi reconhecido através de imagens do circuito interno de segurança da pizzaria em Ibicuí, onde ele esteve em companhia do professor.

O coordenador da 6ª Coordenadoria de Polícia Civil de Itabuna, Evy Paternostro falou sobre o caso, em entrevista à repórter Silmara Souza, do Programa Balanço Geral. “inicialmente, quero aqui destacar o empenho e o profissionalismo da equipe dos investigadores da Polícia Civil que, na tarde de ontem, passaram horas fazendo campana, vigilância, em uma ação rotineira de combate ao tráfico de drogas e investigações relacionadas a crimes de homicídio”. 

Segundo o delegado, o que chamou atenção dos investigadores com relação à prisão de Fábio, foi que, com ele estava a chave de um veículo e alguns documentos pessoais, entre os quais um CPF, que ao ser consultado na Base da Receita Federal, aparecia como sendo de uma pessoa de Ibicuí. 

“Seguindo o princípio da integração entre as unidades da Polícia Civil, foi confirmado que tinha uma vítima de homicídio de nome Isaac com o mesmo CPF apreendido no imóvel aqui em Itabuna. Solicitamos que fosse repassado tudo que tinha sido apurado lá e nos foi enviadas informações de que a vítima, momentos antes de ser assassinada, tinha ido a uma pizzaria, imagens estas flagradas no circuito de câmeras do local”, detalhou Paternostro.

Após análise dessas imagens, os investigadores já descobriram que o acompanhante do professor era Fábio, flagranteado ontem por tráfico. 

Ao ser novamente interrogado, só que dessa vez, sobre o latrocínio ocorrido em Ibicuí, o suspeito, que ainda usava a mesma bermuda e a sandália do dia da morte do professor, acabou confessando tudo, friamente, e com riqueza de detalhes.

A TV e o carro da vítima foram localizados no bairro Fonseca. O veículo foi levado, em um caminhão-guincho, para o pátio do Complexo Policial e vai ser submetido a exame de perícia criminal. 


Assassino diz que ficou com o professor em troca do pagamento da habilitação 

O coordenador da 6ª Coorpin contou que, em seu depoimento, Fábio relatou que já conhecia a vítima e que já haviam se relacionado sexualmente. Nos últimos dias, Fabio disse que ele e o educador vinham travando conversas no INSTAGRAM e que foi convidado pelo professor para ir à Ibicuí ficar com ele, com a promessa de que seria beneficiado com ajuda para que tirasse a habilitação. 

“Ele conta que embarcou em um ônibus aqui na cidade de Itabuna e descreveu até o horário. Os investigadores vão verificar isso também para ver se conseguimos o mapa de passageiro, apesar dele ter dito que embarcou de forma irregular sem que a empresa solicitasse documento, o que é errado, vai contra normas administrativas, toda empresa de ônibus tem que pegar o documento de identificação”, observou o delegado. 

Ainda de acordo com Fábio, ele e o professor acabaram discutindo, o que resultou em luta corporal, culminando com a morte da vítima, sufocada através de um golpe chamado mata-leão.

“Fábio está tecnicamente preso por força de um flagrante por tráfico de drogas. Ele vai ser apresentado agora à tarde para audiência de custódia. Reforçamos a necessidade de uma decretação de prisão preventiva, pelo fato dele não possuir atividade econômica remunerada e ser suspeito de envolvimento em uma série de crimes. E se ele for solto, obviamente, representará um risco para a instrução do processo penal”, informou o delegado Evy Paternostro.


Semelhança com o caso Jota Silva

A morte do professor Isaac lembra o caso do radialista Jota Silva, assassinado aos 60 anos, em circunstâncias semelhantes, no dia 5 de abril desse ano, na casa dele, no bairro Manoel Leão. 

Jota foi encontrado morto no quarto, despido e com sinais de asfixia. O criminoso, assim no caso do professor, era alguém que estava envolvido sexualmente, com o radialista. Até o momento, o assassino de Jota não foi preso. (Relembre o caso de Jota Silva)

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