quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

Morte de animais e vegetação seca: zona rural de 2ª maior cidade da BA convive com 6 meses de estiagem

Oito distritos de Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia, têm convivido com seis meses de estiagem. O resultado? Uma região, que abriga cerca de 30 mil moradores, castigada pela seca, com o verde da vegetação aparente apenas em pequenos pontos.

A prefeitura de Feira de Santana decretou situação de emergência por causa da estiagem no município, em outubro.

A estrada de acesso à comunidade de Caroá tem revelado um cenário ainda mais desolador. Em uma das propriedades, a equipe de reportagem da TV Subaé, afiliada da TV Bahia, encontrou ossadas de bovinos.

Os ossos estavam espalhados no terreno, próximo aos animais que ainda resistiam à falta de água. Eles buscam comida nos pés de juá babão, planta resistente que se destaca mesmo com a seca. Perto da casa, os jornalistas encontraram o agricultor Leolino Alves Pereira, conhecido como "Liu de Caroá". O dono da casa revelou ter pedido quatro cabeças de gado nos últimos dias, por causa da seca.

Aos 79 anos, ele mantém uma rotina difícil para garantir a sobrevivência dos outros animais. Toda manhã complementa a alimentação do gado com o mandacaru que ainda resiste à seca. Ele perdeu uma vaca próximo de uma lagoa usada por animais para se hidratar, que está seca, no terreno da casa.

Das 16 cabeças de gado que sobraram, apenas seis estão na propriedade. As outras "Liu de Caroá" dividiu entre as irmãs que vivem em outras áreas porque não tem alimento suficiente para todos. "Todos os dias minha rotina é essa. Trabalhar para tentar salvar pelo menos metade dos animais. Parece que a estiagem vai prolongar e eu não sei o que vai ser de mim, nessa idade", disse o idoso.

A agricultora Joana Menezes mora com o marido, Tibúrcio Menezes, e quatro netos em uma propriedade de difícil acesso, que tem terreno íngreme. Ela já perdeu dois animais, que morreram de fome e de sede.

"A minha vaca deitou, a gente conseguiu levantar, deu comida, mas ela deitou de novo e morreu. Não tinha onde pastar e beber água", disse. O local onde os animais se hidratam está seco e a cisterna tem reserva de água para apenas 15 dias.

Tibúrcio Menezes leva o gado toda manhã até o rio que passa perto da propriedade. Os animais ficam na beira durante todo o dia e são levados de volta para a propriedade no final da tarde.

Segundo a Prefeitura de Feira de Santana, a escassez deve durar mais três meses. Nos últimos 30 dias, a gestão municipal disponibilizou água para 882 famílias, além de cestas básicas e ração animal. Oitenta cisternas foram reformadas.

"O objetivo é manter esse animais vivos, não é distribuir para engordá-los, mas para que a gente consiga manter a reserva genética desses animais na zona rural".

Foram entregues 121 caminhões com água para o distrito de Bonfim de Feira, 150 para o de Maria Quitéria, 80 para Humildes, 188 para Jaguara, 122 para Tiquaruçu, 106 para Matinha, 45 para Ipuaçu e 70 para Jaíba.

"É necessário que o Estado e a União também se unam conosco nesse momento difícil para que a gente consiga atingir um número maior de pessoas", disse o secretário de Agricultura de Feira de Santana, Alexandre Monteiro.

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