segunda-feira, 25 de maio de 2026

Operação Asfixia: Cartas em presídio revelam estrutura de facção e seis são presos na Bahia

Uma investigação da Polícia Civil desarticulou a estrutura hierárquica de uma organização criminosa que atuava no tráfico de drogas a partir de ordens enviadas e recebidas de dentro do sistema prisional baiano. Na última sexta-feira (22), as forças de segurança deram cumprimento a seis mandados de prisão preventiva durante a deflagração da primeira etapa da batizada Operação Asfixia. As ações operacionais ocorreram de forma simultânea no bairro Cidade Nova, no município de Serrinha, e também dentro dos conjuntos penais de Serrinha, Feira de Santana e Barreiras.

O ponto de partida para a operação foi a interceptação de cartas manuscritas encontradas em uma unidade prisional do estado. De acordo com as informações divulgadas pela Polícia Civil, essas mensagens escritas à mão eram enviadas por comparsas que estavam em liberdade para o chefe do grupo, que já se encontrava custodiado no sistema penitenciário. A partir do monitoramento dessas correspondências, os investigadores conseguiram mapear que a facção possuía base em Serrinha, mas mantinha ramificações ativas dentro dos presídios, operando por meio de uma divisão clara de funções que envolvia liderança, execução do tráfico varejista, logística de distribuição e movimentação financeira.

A investigação detalhou o papel de peças-chave na engrenagem ilícita, incluindo uma mulher que atuava diretamente como elo de comunicação da organização. Ela era a responsável por introduzir clandestinamente as cartas no sistema prisional e por disponibilizar um imóvel que servia como depósito para o armazenamento de entorpecentes. Outro alvo dos mandados exercia a função de comércio direto das substâncias e já havia sido flagrado em duas ocasiões anteriores portando drogas, balanças de precisão e dinheiro em espécie, confirmando a sua atuação na ponta da venda.

Além do tráfico de drogas, a Operação Asfixia conseguiu sufocar o braço financeiro da quadrilha ao identificar um núcleo especializado em lavagem de dinheiro. Esse grupo era encarregado de realizar transferências bancárias fracionadas e de pequenos valores por meio do sistema PIX, uma estratégia utilizada intencionalmente para tentar burlar os mecanismos de fiscalização e dificultar o rastreamento do capital ilícito gerado pelo tráfico. Durante o cumprimento das ordens judiciais na sexta-feira, os agentes civis também apreenderam um automóvel avaliado em R$ 35 mil, sob a forte suspeita de ter sido adquirido com os lucros das atividades criminosas do bando.

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