O dia amanheceu em clima de horror e revolta no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (29), um dia após a operação policial mais letal da história do estado. Durante a madrugada, moradores levaram mais de 30 corpos até a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas — uma das principais vias da região —, em um ato de desespero e denúncia.
Segundo o governo do Rio, a megaoperação realizada na terça-feira (28) resultou oficialmente na morte de 60 suspeitos e quatro policiais, mas o número real de vítimas ainda é incerto. Não há confirmação se os corpos deixados no asfalto estão incluídos nessa contagem ou se representam novas mortes, o que elevaria ainda mais o número total de óbitos.
De acordo com informações apuradas pelo g1, os corpos foram retirados de uma área de mata conhecida como Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde ocorreram os confrontos mais intensos entre traficantes e forças de segurança. Moradores relatam que ainda há cadáveres espalhados pelo alto do morro, sem remoção pelas autoridades.
O ativista e morador da comunidade, Raull Santiago, foi um dos que ajudaram a carregar os corpos. “Em 36 anos de favela, passando por várias operações e chacinas, eu nunca vi nada parecido com o que estou vendo hoje. É algo novo. Brutal e violento num nível desconhecido”, desabafou.

















